Brasil/ imprensa

Para ONG, jornalistas são maiores perdedores da Copa do Mundo

Campanha diz que, no Brasil, o futebol está mal, mas não tanto quanto a liberdade de imprensa.
Campanha diz que, no Brasil, o futebol está mal, mas não tanto quanto a liberdade de imprensa. BETC pour Reporters sans frontières.

A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançou uma campanha para alertar a comunidade internacional sobre a violação da liberdade de imprensa no Brasil. A entidade ressalta que, ao longo da Copa do Mundo, 38 jornalistas brasileiros e estrangeiros foram agredidos pela polícia ou por manifestantes.

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A campanha afirma que, no Brasil, "o futebol está mal, mas não tanto quanto a liberdade de imprensa". A  ONG destaca que no dia da final do Mundial, 13 de julho, um número “assustador” de jornalistas foram agredidos no país. No total, 15 repórteres que cobriam manifestações contra a Federação Internacional de Futebol (Fifa) foram atacados.

A organização relata o caso do repórter fotográfico canadense Jason O’Hara que, jogado no chão enquanto cobria os atos, recebeu um chute no rosto de um policial. Outra fotógrafa, Ana Carolina Fernandes, da agência Reuters, foi atacada com gás lacrimogêneo, enquanto jornalistas independentes e blogueiros do Brasil também sofreram agressões físicas. Esse foi o caso de Felipe Peçanha, do site de informações Mídia Ninja.

“A Repórteres Sem Fronteiras exorta as autoridades a assegurar que os agentes da polícia militar, responsáveis por atos de violência contra jornalistas, não fiquem impunes”, declarou Camille Soulier, diretora do setor de Américas da ONG, em Paris. “Apesar das promessas do governo, os jornalistas no Brasil ainda não podem contar com uma proteção do Estado, através de um mecanismo nacional de proteção.”

Missão a Brasília

A organização realizou uma missão ao país para exprimir à presidência da República as preocupações sobre o tema. Segundo a ONG, porta-vozes do Planalto prometeram a criação de um observatório da violência contra jornalistas, “que infelizmente ainda não está concretizado”, diz a entidade.

A Repórteres Sem Fronteiras ressalta que o país ocupa a 111ª posição em liberdade de imprensa no mundo, na lista de 180 países analisados. O Brasil é o segundo país mais violento para os profissionais na América Latina, ao registrar 15 assassinatos de jornalistas nos últimos quatro anos.

 

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