Brasil/Corrupção

Janot rejeita tese de que empreiteiras foram obrigadas a participar de fraude

"Ninguém é obrigado a ganhar dinheiro", diz o procurador-geral da República, Rodrigo Janot
"Ninguém é obrigado a ganhar dinheiro", diz o procurador-geral da República, Rodrigo Janot Wilson Dias/ABr

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, antecipou que vai contestar juridicamente a tese de defesa dos executivos de empreiteiras que admitiram ter pago propina como condição para fecharem contratos com a Petrobras. Segundo essa tese, os executivos foram vítimas de uma extorsão para participarem do esquema de fraude de licitações.

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

"Nessa situação, não existem néscios e nem papalvos", afirmou o procurador-geral, que está em Buenos Aires para participar de uma reunião entre os Ministérios Públicos dos países do Mercosul. Na opinião dele, "é muito difícil acreditar que, em atividades empresariais dessa estatura, as pessoas possam ter sido alvo de concussão que as levasse à fraude da licitação, à divisão de mercado e a um lucro excelente como resultado de empresa".

"Eu acredito que isso não possa ser creditado a uma concussão. Ninguém é obrigado a ganhar dinheiro e a lucrar com uma atividade ilícita. Eu acho que é uma tese que nós contestaremos juridicamente", avaliou Janot.

Reforma política

Além das prisões, o procurador-geral da República disse esperar que esse processo leve a uma reforma política: "Que a sociedade brasileira como um todo possa entender essa situação e fazer disso o propulsor para a reforma política. Está por trás disso a reforma política e é nisso em que eu aposto que vá acontecer".

De acordo com ele, a estrutura do sistema político brasileiro se mostrou "vencida": "Um sistema enferrujado que não produz mais efeito. Só produz efeito ruim", atacou.

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