Brasil/Economia

Brasil dá uma guinada na direção da austeridade, diz Le Monde

O novo ministro da Fazenda do Brasil, Joaquim Levy, apelidado de "mãos de tesoura" pelos cortes no orçamento.
O novo ministro da Fazenda do Brasil, Joaquim Levy, apelidado de "mãos de tesoura" pelos cortes no orçamento. Reuters

A imprensa francesa repercute nesta sexta-feira (28) a nomeação da nova equipe econômica oficializada na quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff. O diário econômico Les Echos apresenta o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como um gestor "com sólida experiência tanto no setor público quanto no setor privado".

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A edição de Le Monde com data de sábado (29) afirma que o "trio de choque" indicado para assumir o comando da economia brasileira fixou como objetivos o saneamento das contas públicas, a retomada da produção e o controle da inflação, no momento em que a indústria brasileira começa a demitir. Além de Levy na Fazenda, foram confirmados Nelson Barbosa no Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central.

Com essa equipe, "o Brasil dá uma guinada na direção da austeridade" e a presidente Dilma Rousseff tenta "reconquistar a confiança do meio empresarial", destaca Le Monde. Ontem, na sua primeira declaração pública, Levy se disse "realista" e prometeu dar mais transparência à sua gestão, acrescenta Les Echos.

Le Monde relata que o estilo centralizador de Dilma e seu intervencionismo na economia foram duramente criticados durante a recente campanha eleitoral. Na perspectiva do segundo mandato, "a autonomia da nova equipe econômica é essencial, principalmente porque a conjuntura exige a adoção de medidas impopulares", lembra o diário. "Levy conta com o apoio do mercado e espera reconciliar o governo federal com o setor privado", acrescenta.

Le Monde observa, por outro lado, que a nomeação de um diretor de banco para a pasta da Fazenda irritou o Partido dos Trabalhadores e outras legendas da base governista.

Nomeações duvidosas

Le Monde mostra as dificuldades enfrentadas por Dilma para compor o novo governo. "O vazamento, na imprensa local, de que a senadora Katia Abreu, líder da bancada ruralista, seria nomeada para a pasta da Agricultura foi recebido como uma provocação pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Os sem-terra prometem retomar o conflito agrário e as manifestações", informa. Diante dessas ameaças, a presidente poderá rever algumas nomeações, conclui Le Monde.

Ao anunciar os objetivos da nova equipe econômica, o jornal gratuito 20 Minutes destaca que o novo ministro da Fazenda estabeleceu como meta um superávit primário de 1,2% du PIB no ano que vem e pelo menos 2% em 2016 e 2017.

Todos os jornais reproduzem o comentário ácido do candidato derrotado à presidência, Aécio Neves (PSDB): "Levy na Fazenda é como ter agente da CIA na KGB". 

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