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França/Brasil

Para Le Monde, ajuste fiscal e recessão caminham juntos no Brasil

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Reuters
Texto por: RFI
3 min

A capa do caderno de Economia do jornal Le Monde deste fim de semana traz uma foto de manifestantes anti-Dilma em Brasília e o título: "Brasil renova com a recessão... e a austeridade". O correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Nicolas Bourcier, apresenta os números da economia brasileira para o primeiro trimestre e avalia que "a economia da maior potência latino-americana vai mal e, pior ainda, não atingiu o fundo do poço".

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A publicação dos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para os três primeiros meses do ano mostrou um recuo de 1,6% em relação ao mesmo período de 2014 e, em números anuais comparados, é o pior resultado desde 2009. "Ainda que esses números sejam melhores do que as previsões do mercado (...), eles colocam um novo problema sobre a mesa" do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que apresentou um plano de reajuste fiscal de R$ 69,7 bilhões na semana passada e, apesar da estreita margem de operações que o quadro econômico oferece, terá de cortar ainda mais.

Ele já passou a faca nos orçamentos de vários ministérios, paralizou os investimentos públicos, complicou a aposentadoria e o seguro-desemprego e mexeu inclusive em vitrines das administrações petistas, como os projetos sociais e o Programa de Aceleração do Crescimento. Quer dizer, atacou as meninas dos olhos da administração que ele serve. O que mais cortar, em um cenário de inflação galopante (8,17% no ano e previsão de 8,26% para o fim de 2015), queda na produção e aumento do desemprego (100 mil postos de trabalho perdidos apenas em abril)?

Inexplicável otimismo

"Apesar de tudo, o ministro Levy se mostrou otimista, afirmando que 'muita coisa mudou' desde a formação do governo, em janeiro", escreve Bourcier. O correspondente destaca que o ministro vê o segundo semestre como um período de transição e atribui a queda do PIB no primeiro às "incertezas" do início do ano. Mas quais das incertezas que estavam lá no início do ano desapareceram em três meses?

Como narra Bourcier, Levy continua "membro de um governo frágil, dependente de um Congresso hostil e de um setor privado com medo de investir". Além de tudo, ele, que é chamado por grupos à esquerda do PT de presidente de facto, reclama de não ter apoio incondicional dentro do próprio partido. "Ele se queixa inclusive de pressões crescentes exercidas por gente próxima do presidente Lula", escreve a matéria de Le Monde, se referindo a Lindbergh Farias.

Em entrevista ao Valor, o senador pelo Rio afirmou que o governo "brinca com fogo" e deveria mudar de estratégia, para retomar o caminho do crescimento sem comprometer as conquistas desses 12 anos de PT no poder.

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