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Piora estado de brasileiro em greve de fome na Cisjordânia

O brasileiro-palestino Islam Hamed, 30 anos, ao lado de sua mãe.
O brasileiro-palestino Islam Hamed, 30 anos, ao lado de sua mãe. Captura vídeo

O estado de saúde do brasileiro-palestino Islam Hamed, de 30 anos, piorou no último fim de semana. Ele está em greve de fome há 65 dias, ingerindo apenas líquidos, e tem sofrido com desidratação, enjoos e desmaios. Há possibilidade de que esteja com icterícia.

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Daniela Kresch, correspondente da RFI Brasil em Tel Aviv,

Por causa da piora, o brasileiro foi transferido de uma prisão palestina em Nablus, no norte da Cisjordânia, para uma casa de detenção em Ramallah, no centro da região. O Escritório de Representação do Brasil em Ramallah (que atua como uma espécie de embaixada na Palestina), acompanha o quadro do brasileiro, que parou de comer em 11 de abril.

Hamed exige ser repatriado ao Brasil, mas para isso precisa de um salvo-conduto de Israel para deixar a região, o qual, segundo autoridades palestinas, Israel se recusa a emitir.

Islam Hamed é filho da brasileira Nádia Hamed, de 52 anos, nascida em Catanduva, Estado de São Paulo. Ela imigrou para a Palestina ainda adolescente, se casou com um palestino e teve quatro filhos. Dois deles têm nacionalidade brasileira, mesmo sem terem nascido no país.

Acusado de conspiração

Hamed foi preso pela primeira vez em 2002, sob acusação de atirar pedras e coquetéis molotov contra tanques israelenses. Foi libertado cinco anos depois, mas novamente detido sob regime de prisão administrativa, reservada a presos políticos.

Em 2010, ele tentou viajar ao Brasil, mas foi detido novamente, desta vez pela Autoridade Nacional Palestina, que o acusou de conspirar contra o presidente Mahmoud Abbas e de envolvimento com o grupo islâmico Hamas – o que a família admite.

A pena terminou, a rigor, em setembro de 2013. Mas ele foi mantido na prisão pelos palestinos alegando que é para sua segurança, já que se for libertado, poderá ser imediatamente preso por Israel, que o procura por causa do envolvimento com o Hamas.

As autoridades carcerárias só admitem retirá-lo da prisão caso sua família assine um termo de responsabilidade por sua segurança. Mas os parentes se recusam a fazê-lo, exigindo que o governo brasileiro se responsabilize por sua saída da prisão e a viagem até o Brasil.

Mas o governo brasileiro afirma que não conseguiu sensibilizar palestinos e israelenses para chegar a uma solução em comum. Diversas manifestações foram feitas no Brasil e na Palestina pela libertação de Hamed.

O secretário de Direitos Humanos de São Paulo, Eduardo Suplicy, enviou uma carta para o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pedindo que Islam Hamed seja “imediatamente abrigado” no Escritório de Representação do Brasil em Ramallah.

 

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