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Brasil/Igreja Católica

Brasil: 152 bispos acusam Jair Bolsonaro de "totalitarismo"

Presidente Jair Bolsonaro criticado pela sua gestão da crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, que infectou mais de 2,5 milhões de brasileiros.
Presidente Jair Bolsonaro criticado pela sua gestão da crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, que infectou mais de 2,5 milhões de brasileiros. AP - Eraldo Peres
5 min

152 bispos e arcebispos da igreja católica brasileira, subscreveram uma carta ao Presidente Jair Bolsonaro, acusando-o de "totalitarismo" e de ser o responsável pela crise política, económica e sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, que causou a morte de mais de 87.000 pessoas e quase 2 milhões e meio de infectados no Brasil.

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A carta em tom de manifesto implacável contra o Presidente Jair Bolsonaro, foi revelada pelo jornal Folha de São Paulo no último domingo (26/07) e assinada por 152 bispos e arcebispos progressistas brasileiros, entre os quais alguns eméritos como o arcebispo emérito de São Paulo D. Claudio Hummes, na qual acusam o governo de "totalitarismo" e de apoiar actos anti-democráticos.

A missiva está a provocar grande controvérsia no seio da igreja do maior país católico do mundo, que tem tem 310 bispos no activo e 169 eméritos.

Com o título "Carta ao Povo de Deus" numa alusão à "Carta ao Povo Brasileiro" apresentada pelo antigo Presidente Lula da Silva em 2002, pouco antes da sua eleição.

O Presidente é citado várias vezes e acusado de usar o nome de Deus para "difundir mensagens de ódio e preconceito", de promover "uma economia que mata" e de "omissão, apatia e repúdio" pelos mais pobres.

Tal "é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública, no apelo a ideias obscurantistas, na escolha da educação como inimiga e nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros", diz um trecho do texto sobre o "desprezo pela educação, cultura e diplomacia". 

Jair Bolsonaro é responsabilizado pela crise sanitária devido à pandemia de Covid-19, mas também pela crise económica e tensão política, alimentada em grande parte por Jair Bolsonaro e pelo governo, que seriam incapazes de fazer frente à situação, pode ler-se.

Os bispos citam a crise do novo coronavírus e utilizam versículos biblícos, para sustentar as violações cometidas por Bolsonaro, apesar do apelo religioso, o clérigo tece duras críticas ao Presidente pelos seus "discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela Covid-19 ".

O Palácio do Planalto informou por email que não comentará a iniciativa e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - dividida no apoio a Bolsonaro - afirma que ela é da responsabilidade dos signatários.

 A carta termina com um apelo à igreja e ao povo brasileiro pela união aos movimentos que "buscam novas e urgentes" alternativas para o país.

Domingo, 26 de Julho o Presidente Jair Bolsonaro foi alvo de outra denúncia de repercussão internacional, formalizada junto ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda.

Dezenas de organizações civis brasileiras e internacionais, entre elas associações que representam mais de um milhão de profissionais da saúde no Brasil, acusam o Presidente brasileiro de crime contra a Humanidade, por omissão e actos premeditados, que boicotaram as medidas de quarentena e distanciamento social tomadas por governadores e autarcas, que resultaram no colapso dos sistemas de saúde e provocaram directamente milhares de mortes, inclusivé de profissionais de saúde, obrigados a trabalhar na linha de frente sem protecção adequada.

 

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