Umaro Sissoco Embaló/Visita ao Brasil

Presidente da Guiné-Bissau em visita oficial de 4 dias ao Brasil

Presidente da Guiné-Bissau acolhido no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, a 24 de Agosto de 2021.
Presidente da Guiné-Bissau acolhido no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, a 24 de Agosto de 2021. AP - Eraldo Peres

O presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, está desde esta terça-feira, 24 de Agosto, no Brasil, numa visita oficial de quatro dias ao país.

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Na manhã de ontem, Umaro Sissoco Embaló foi recebido por Jair Bolsonaro, numa cerimónia oficial no Palácio do Planalto, onde estiveram a passar em revista a agenda destes dias. Na parte da tarde, o Presidente da República da Guiné-Bissau visitou o Congresso Nacional.

Esta quarta-feira, 25 de Agosto, os dois chefes de Estado conversaram sobre várias questões, entre elas a agricultura, saúde e defesa. No encontro, Jair Bolsonaro garantiu ainda visitar a Guiné-Bissau a convite do seu homólogo.

O Presidente brasileiro e o chefe de Estado da Guiné-Bissau falaram com a imprensa após a reunião. Jair Bolsonaro mostrou-se feliz por receber Umaro Sissoco Embaló.

"Temos a felicidade de receber o Presidente da Guiné-Bissau. O seu país é porta de entrada para a África Ocidental. Já assumi o compromisso com ele de, numa primeira oportunidade, visitarmos o seu país. Temos laços bastante antigos de amizade e cooperação entre os nossos países", começou por dizer o Presidente brasileiro.

Jair Bolsonaro falou ainda sobre os temas abordados na reunião: "Conversámos rapidamente sobre algumas questões, como a agricultura, saúde e defesa. Considero o país irmão e temos muito a colaborar com a Guiné-Bissau e eles também, em relação à segurança do Atlântico Sul".

"Assim sendo, dou as boas-vindas ao Presidente general Embaló e dizer que vamos colaborar para que tenha também uma participação do Brasil, com soluções para o seu país. Agradeço mais uma vez. Estou muito honrado com a sua presença", acrescentou ainda o Presidente do Brasil.

Oiça aqui as palavras de Jair Bolsonaro:

 

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, 25/8/2021

 

Por sua vez, Umaro Sissoco Embaló disse que o Brasil nunca "virou as costas" à Guiné-Bissau.

"O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a independência da Guiné-Bissau. Foi proclamada em 1974 e, desde esta data, nunca o Brasil deixou de assistir e apoiar a Guiné-Bissau. Temos passado por crises cíclicas e o Brasil nunca virou as costas ao povo irmão da Guiné-Bissau", começou por dizer.

O chefe de Estado acredita que a parceria com o Brasil será uma mais-valia para o país: “O Brasil tem tudo o que a Guiné-Bissau mais precisa neste momento, por exemplo, para modernizar a agricultura, a área da saúde, etc. A Guiné-Bissau é a porta de entrada do Brasil para África Ocidental, um vasto mercado dos países".

"Fica desde já o meu convite para o meu amigo visitar a Guiné-Bissau brevemente, em Setembro ou Outubro, o mais tardar, para podermos fortificar essa relação", terminou o Presidente daquele país africano.

Oiça o testemunho de Umaro Sissoco Embaló:

 

Umaro Sissoco Embaló, presidente da Guiné-Bissau, 25/8/2021

 

De salientar que na tarde desta quarta-feira, 25 de Agosto, os presidentes estão a participar numa cerimónia alusiva ao Dia do Soldado.

Por sua vez, nos próximos dias 26 e 27, o Presidente da Guiné-Bissau vai visitar várias cidades brasileiras.

"Nos dias 26 e 27, o mandatário bissau-guineense realizará visita aos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na capital paulista, deverá visitar o Museu da Língua Portuguesa e entrevistar-se-á com o governador do estado. No Rio de Janeiro, visitará o Comando de Operações Navais da Marinha do Brasil", referiu o Ministério das Relações Exteriores, em comunicado.

Reacções à visita de Umaro Sissoco Embaló ao Brasil

O Presidente da Guiné-Bissau está esta semana em visita ao Brasil. Como reage a comunidade guineense radicada no gigante sul-americano à visita de Umaro Sissoco Embaló ?

Orlando Cristiano é geólogo ligado à Universidade de São Paulo. Ele afirma-se crítico quanto à linha do actual chefe de Estado guineense e não acredita que a diáspora se mobilize em torno desta deslocação que o deixa sem expectativas reais.

"A visita de Sissoco aqui não é uma coisa 'Venho resgatar uma relação que não existia.' Não! O Brasil sempre, eu estou aqui por causa disso, o Brasil sempre teve boas relações com a Guiné-Bissau. Estou aqui há 38 anos. Tem período em que esfria, período em que aquece, o que é normal! Quase todos os presidentes já vieram ao Brasil. E dessa visita eu não espero nada", começou por defender o geólogo.

Orlando Cristiano considera que esta visita é um trunfo para o Presidente da Guiné-Bissau.

"Na verdade é um grande trunfo para o Sissoco que vai poder tirar as fotografias, que vai poder estampar a sua presença ao lado dos generais e do Bolsonaro. Coisa que não me orgulha a mim! Então isso talvez sirva para os seus apoiantes usarem nas próximas campanhas, para ele mesmo usar como marketing. E mais nada!", acrescentou.

O geólogo falou ainda sobre a preparação deste encontro: "Foi-me dito que alguém, o Umaro Sissoco? Enviou gente desde a semana passada para organizar, para aliciar pessoas aqui para fazer faixas, camisetas (camisolas), coisa que eu acho completamente dispensável".

Por fim, falou sobre a opinião "da maioria" dos guineenses a residir no Brasil sobre o actual Presidente da República do país.

"A maioria dos guineenses aqui em São Paulo tem esta visão altamente crítica em relação ao Sissoco. Eu não sei se vai ter manifestações, mas eu sei que as pessoas não estarão presentes, as pessoas que não são militantes do seu partido, essas pessoas vão-se manter onde estão porque não têm nada a buscar no encontro com o Sissoco", rematou.

Eis o relato de Orlando Cristiano, geólogo ligado à Universidade de São Paulo:

 

Orlando Cristiano, geólogo brasileiro radicado em São Paulo

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