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Cabo Verde

Prorrogação do Estado de emergência em Cabo Verde diferenciado por ilhas

O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, no passado 27 de Março de 2020.
O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, no passado 27 de Março de 2020. © LUSA/ Fernando de Pina
Texto por: Odair Santos
7 min

Para evitar a propagação do novo coronavírus, o Presidente da República alargou o Estado de emergência até 2 de Maio para a Boa Vista, Santiago e São Vicente, ilhas onde se registaram casos positivos de covid-19, sendo que nas restantes 7 ilhas, sem casos da doença, o Estado de emergência vigora até 26 de Abril.

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A declaração do chefe de Estado transmitida pela Televisão e Rádio Públicas foi feita esta quinta-feira à tarde, Jorge Carlos Fonseca tendo declarado ter já solicitado a autorização do parlamento neste sentido.

Ao justificar a diferenciação da aplicação das medidas de emergência consoante as ilhas, o Presidente cabo-verdiano declarou que “é o reconhecimento de situações diferentes que, contudo, deverão continuar a ser enfrentadas com toda a seriedade e com todo o vigor, uma vez que os riscos de epidemia continuam muito elevados”.

O presidente da República admitiu que a situação da pandemia no arquipélago está  “relativamente controlada”, não obstante o avanço de números de casos na Boa Vista, o que no seu entender, comprova que o covid-19 “é imprevisível e uma doença muita contagiosa”. Mais pormenores com Odair Santos.

Correspondência de Cabo Verde, 16/4/2020

Paralelamente a este anúncio, o Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva deslocou-se hoje à ilha da Boa Vista onde foram reforçados os efectivos policiais e sanitários depois de terem sido confirmados ontem 45 novos casos de covid-19, elevando a um total de 51 casos naquela ilha sobre 55 a nível nacional.

As 45 pessoas cujo diagnóstico foi confirmado positivo ontem estavam inseridas num grupo de 200 funcionários do hotel Riu Karamboa que estavam a cumprir uma quarentena havia mais de 20 dias naquela unidade hoteleira após a morte de um cliente, um turista inglês de 62 anos, até ao momento único óbito registado no país devido ao covid-19.

Na sequência de um braço-de-ferro com as autoridades sanitárias locais, os funcionários do hotel tinham obtido no passado fim-de-semana a possibilidade de terminar a sua quarentena nos seus respectivos domicílios. Surgiram contudo relatos de incumprimento das medidas de protecção no exterior bem como no interior daquela unidade hoteleira e testes efectuados a partir do dia 11 de Abril confirmaram ontem que entre os 200 funcionários em quarentena, 45 tinham contraído o vírus.

«Uma dura lição para o governo» admitiu ontem o Primeiro-Ministro para quem foi “também uma dura lição para os cidadãos”, Ulisses Correia e Silva tendo hoje considerado durante a sua deslocação à Boa Vista que «Se cada um fizer a sua parte sairemos todos mais fortes desta crise”.

Ao dar uma palavra de encorajamento às forças da ordem e às equipas sanitárias no terreno, o chefe do governo também considerou que «a situação é controlável, temos um caso que disparou a partir de um lugar muito determinado, o hotel Riu Karamboa, mas o trabalho que está a ser feito no sentido de assegurar o isolamento, a quarentena, garante que possamos conter e fazer o tratamento devido a essas situações para evitar mais contágio».

Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro cabo-verdiano

No âmbito desta curta visita à ilha da Boa Vista, o Primeiro-ministro de Cabo Verde fez-se acompanhar pelo ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, e pelo ministro da Saúde e Segurança Social, Arlindo do Rosário, com na agenda reuniões com as autoridades locais para coordenar a resposta ao covid-19 ao nível da ilha.

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