Racismo

Cidadãos cabo-verdianos exigem remoção de monumentos pró-esclavagistas em Cabo Verde

Estátua de Diogo Gomes, Praia, Cabo Verde.
Estátua de Diogo Gomes, Praia, Cabo Verde. © RFI/Vladimir Cagnolari

Grupo de cidadãos avança com uma petição para “Remoção de monumentos pró-esclavagistas e coloniais em Cabo Verde”. O documento é subscrita por cerca de dois mil cabo-verdianos. 

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A petição para “Remoção de monumentos pró-esclavagistas e coloniais em Cabo Verde” foi entregue ao presidente da Assembleia Nacional pelo promotor da iniciativa, Gilson Varela Lopes, que considera que o descobridor português Diogo Gomes foi também “traficante de escravos”. Por isso, afirma que, à semelhança de outros monumentos, a estátua de Diogo Gomes deve ser removida.

“Neste momento estamos na fase de contestação racial e de reclamação por justiça, porque a escravatura não fez só mal na altura, ceifou a vida de cerca de 8 milhões de pessoas e ainda hoje todos nós africanos sofremos com algum estigma e penso que faz todo sentido, pelo menos lançar o debate sobre descobridores que foram também esclavagistas.

Diogo Gomes não foi só um descobridor, foi também um traficante de escravos, e nesse sentido é necessário possivelmente criar uma comissão de historiadores para investigar exatamente o que aconteceu”, disse Gilson Varela Lopes

 Ainda em declarações à imprensa o promotor da petição para “Remoção de monumentos pró-esclavagistas e coloniais em Cabo Verde”  explicou que a ideia não é apagar a história, mas sim ensinar e contar a história de Cabo Verde tal como aconteceu.

“Não é apagar a história, a história nunca vai ser apagada, como é o exemplo de Alemanha onde não existe símbolos de Adolf Hitler em lado nenhum, mas existe o Museu de Auschwitz”, adiantou Gilson Varela Lopes.

Oiça aqui a correspondência de Odair Santos em Cabo Verde:

 

 

Correspondência de Odair Santos 12/08/2021

Por outro lado em Portugal o emblemático Padrão dos Descobrimentos foi vandalizado em Lisboa no início da semana.

Um caso que está a dar muito que falar. O sociólogo João Teixeira Lopes comentou, também, o impacto em Portugal da iniciativa cabo-verdiana de remover os monumentos coloniais.

Para este professor universitário o importante é haver debate em torno da questão, ele afirma perceber o interesse de um debate sereno em torno do mesmo.

"Eu compreendo que os cabo-verdianos questionem se querem ter no espaço público monumentos de pessoas que, eventualmente, simbolizem para eles opressão, escravatura, colonialismo, subjugação ? Acho isso perfeitamente legítimo.

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