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Festival de Avignon

Dramaturga espanhola se automutila em cena

As atrizes oscilam entre risos e lágrimas e a dor física é utilizada como uma linguagem cênica extrema.
As atrizes oscilam entre risos e lágrimas e a dor física é utilizada como uma linguagem cênica extrema. Christophe Raynaud De Lage
Texto por: Maria Emilia Alencar
5 min

Pela primeira vez no Festival de Avignon, Angélica Liddell utiliza a dor física até as últimas consequências nos seus espetáculos para evocar a violência do mundo e as humilhações sofridas pelas mulheres.  

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Quando os espectadores chegam no magnífico Cloître des Carmes em Avignon para assistir a peça « La Casa de la Fuerza » (A Casa da Força em português) da espanhola Angélia Liddel, eles nem imaginam em que aventura eles estão embarcando. São 5 horas intensas de espetáculo onde três mulheres relatam verdadeiros horrores de suas experiências de humilhações e frustrações. Elas bebem, de verdade, várias garrafas de cerveja, passam limões espremidos sobre a pele e chegam a praticar em cena escarificações, ou seja, elas fazem com gilette cicatrizes superficiais sobre a pele até o sangramento.

Impondo sofrimentos sobre o próprio corpo, a diretora e atriz espanhola pretende fazer uma metáfora da violência a que são submetidas as mulheres. Um espetáculo inspirado por uma de suas viagens ao México onde, segundo ela, a humilhação cotidiana das mulheres e a misoginia atingem seu clímax.

Para conceber esse espetáculo Angélica Liddell pensou especialmente nas mulheres de Ciudad Juárez, no México, há anos assassinadas em toda a impunidade. A peça « La Casa de la Fuerza » é uma sucessão de performances regadas a cerveja e música mexicana, tocada ao vivo por um grupo de mariachis em cena.

Os relatos das três atrizes oscilam entre risos e lágrimas e a dor física é utilizada como uma linguagem cênica extrema. Uma experinência que prova que o Festival de Avignon está cada vez mais se distanciando do teatro tradicional..

Angélica Liddell, autora, diretora e atriz de seus próprios espetáculos fundou em 1993 em Madri a companhia Atra Bilis com o ator Gumersindo Puche. Desde então, ele desenvolve uma experiência teatral à margem, ulrapassando o limite do suportável para o espectador. Em sua peça « Y tu mejor sangria », encenada em 2003, ela chegou a exibir para o público um filme onde ela própria mantinha relações sexuais com um homem.

Maria Emília Alencar, jornalista enviada especial da RFI à Avignon.

 

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