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Avignon/Festival

Juliette Binoche conquista o público e não a crítica em Avignon

Juliette Binoche em "Senhorita Julia",  de August Strindberg, no Festival de Avignon.
Juliette Binoche em "Senhorita Julia", de August Strindberg, no Festival de Avignon. AFP PHOTO/GERARD JULIEN
Texto por: Maria Emilia Alencar
2 min

A atriz francesa Juliette Binoche, há 23 anos fora dos palcos de teatro, conquistou a plateia do Festival de Avignon no papel de “Senhorita Júlia” de August Strindberg. A adaptação desse clássico do dramaturgo sueco não convenceu, no entanto, os críticos.

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A participação de Juliette Binoche nesta 65ªedição do Festival de Avignon foi cercada de grande expectativa, já que a célebre atriz francesa, Oscar de melhor coadjuvante em 1997 por seu papel no filme “O Paciente Inglês”, não pisava num palco de teatro desde 1988.

Confessando estar “com muito medo” antes da estreia, Juliette Binoche, aos 47 anos, venceu o desafio e seduziu o público de Avignon como protagonista da peça do sueco Strindberg, escrita em 1888. Ela conseguiu encarnar uma Júlia moderna, personagem trágica e complexa, contracenando com o ator francês Nicolas Bouchaud e foi bastante aplaudida nas três representações já realizadas no Festival.

Mas se por um lado o público aprovou o retorno de Binoche ao teatro, os críticos teatrais apreciaram menos essa adaptação bem contemporânea feita pelo diretor francês Frédéric Fisbach. Segundo alguns críticos, Fisbach não conseguiu transmitir a densidade do texto, que trata não somente da paixão de uma aristocrata por seu empregado, mas principalmente da luta de classes e da relação de forças entre um homem e uma mulher.

Ao invés do contexto da peça original, que se passa em uma família aristocrática da Escandinávia, a “Senhorita Júlia” de Fisbach evolui num apartamento moderno, onde os convidados dançam frenéticamente e os amantes discutem numa cozinha branca design.
 Ao transpor a intriga para um cenário contemporâneo, Fisbach quis trazer para mais perto do espectador a problemática da instabilidade das relações amorosas, tema central da peça de Strindberg. Mas a cenografia muito estilizada, com os atores dentro de uma espécie de caixa de vidro branca, acabaram por afastar o espectador do argumento principal.

“Senhorita Júlia” de August Strindberg fica em cartaz no Festival de Avignon até 26 de julho. Depois, a peça deverá ser apresentada no Teatro Odéon em Paris e fará uma turnê no Japão em 2012.

 

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