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Festival de Avignon

Crise financeira e ecologia nos palcos do Festival de Avignon

Crise financeira e ecologia nos palcos do Festival de Avignon.
Crise financeira e ecologia nos palcos do Festival de Avignon. DR
4 min

Um dos maiores encontros teatrais do mundo, o Festival de Avignon, começa neste sábado no sul da França. Durante cerca de um mês, a cidade medieval vira a capital do teatro, com centenas de peças encenadas por todos os lados e um espaço privilegiado para as criações de vanguarda. Para esta 66ª edição, Avignon se volta para temáticas do mundo contemporâneo, como a crise financeira e a ecologia.

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Maria Emilia Alencar, enviada especial a Avignon

A grande festa do teatro é inaugurada esta noite no suntuoso Palácio dos Papas, em Avignon, com uma adaptação de « O Mestre e a Margarida », romance do russo Mikhail Boulgakov, escrito nos anos 30 e adaptado por Simon Mc Burney, um dos diretores britânicos mais em voga na cena europeia.

Apesar de começar com uma obra que marcou o século XX, escrita no período mais obscuro da ex-União Soviética, a programação do festival esse ano é muito mais voltada para o século XXI e para os questionamentos atuais. Por isso mesmo, grande parte dos 36 espetáculos do circuito oficial são criações contemporâneas e não adaptações de textos clássicos.

« Teatro documentário »

Em foco esse ano, peças que questionam um mundo em crise, um « teatro documentário » como é chamado por alguns críticos. A diretora britânica Katie Mitchell, muito em evidência atualmente nos palcos de vanguarda de Londres, traz pela primeira vez a Avignon o tema da ecologia, com o espetáculo « Ten Billion »criado com o cientista Stephen Emmot. A peça é uma projeção sobre os problemas de nosso planeta quando ele será povoado por 10 bilhões de habitantes em 2100.

O alemão Thomas Ostermeier, bem conhecido dos aficionados de Avignon, denuncia o impacto dos interesses econômicos sobre a democracia numa adaptação da peça « O inimigo do Povo » do norueguês Henrik Ibsen. Outro alemão Nicolas Stemann, pela primeira vez no festival, dirige « O contrato do comerciante, uma comédia econômica », um texto sobre a crise financeira de autoria de Elfriede Jelinek, escritora austríaca, prêmio nobel de literatura, cujo livro « A Pianista » foi adaptado para o cinema por Michael Haneke em 2001. E na mesma linha, o francês Bruno Meyssat apresenta « 15% », peça inspirada na crise dos sub-primes nos Estados Unidos em 2008.

Avignon OFF

E como vem acontecendo nos últimos anos, o Festival de Avignon se abre novamente para a dança nesta edição. Na programaçao deste ano, destaque para dois coreógrafos franceses : Régine Chopinot, consagrada nos anos 80 e Olivier Dubois, pela terceira vez no festival. Muita expectativa para a coreografia do belga-marroquino, Sidi Larbi Cherkaoui, que se apresenta ao ar livre na mítica « Carrière de Boulbon » um palco dentro de uma pedreira em plena floresta, a 20 quilômetros de Avignon, onde Peter Brook se consagrou há 27 anos com a saga indiana Mahabharata.

Paralelamente à programação oficial, o festival conta com a efervescência do circuito chamado Avignon Off, que este ano apresenta 1161 espetáculos encenados por 975 pequenas companhias de teatro.

O Festival de Avignon acaba em 28 de julho próximo.

 

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