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Arte/ Fiac

Ameaçada com imposto sobre a arte, Fiac abre as portas em Paris

Todos os anos, Fiac movimenta milhões de euros no comércio de obras de arte.
Todos os anos, Fiac movimenta milhões de euros no comércio de obras de arte. Siegfried Forster / RFI
Texto por: Lúcia Müzell
5 min

Hoje foi aberta ao público, em Paris, a 39ª Feira Internacional de Arte Contemporânea, a FIAC, uma oportunidade privilegiada para adquirir obras de arte. Neste ano, o evento ficou marcado pela possibilidade de aplicação de impostos sobre o patrimônio em obras de arte na França, em uma polêmica que revoltou o setor.

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Na semana passada, a Comissão de Finanças da Assembleia francesa havia aprovado uma emenda propondo a taxação das obras de arte de valor superior a 50 mil euros, 130 mil reais. A proposta era para complementar o orçamento de 2013.

Mas ministros socialistas como Aurélie Filippeti, da Cultura, e Michel Sapin, do Trabalho, criticaram o projeto, afirmando que ele prejudicaria artistas, colecionadores e museus, num momento em que a França conseguiu recuperar um lugar de destaque no mercado internacional de arte. O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, acabou enterrando a proposta na terça-feira, às vésperas da abertura da Fiac.

O assunto agitou os bastidores do evento, cuja vernissage ocorreu ontem, no Grand Palais, e hoje abriu as portas ao público. “O abandono do projeto salvou a Fiac”, resumiu François de Ricqlès, presidente da casa de leilões Christie's na França. “Foi uma boa decisão, porque este imposto teria sido muito danoso a quem investe em arte”, declarou o empresário e colecionador François Pinault, à agência AFP.

Já a colecionadora Sandra Mulliez, que em 2009 lançou um projeto de mecenato para a arte contemporânea, disse que “não consegue entender” a proposta do governo socialista francês. “Sou francesa, preocupada com os artistas franceses e luto por eles. Este projeto de aplicar imposto em quem compra obras de arte teria sido um tiro no pé”, disse.

Também o artista francês Jean-Jacques Lebel afirmou que, apesar de ser um eleitor da esquerda, “teria sido um grave erro” se o governo adotasse o projeto, “pois assim as pessoas não emprestariam mais nada para os museus”.

Longas filas na abertura

A crise econômica é outra sombra que paira sobre a Fiac, mas a diretora do evento, Jennifer Flay, comentou estar “otimista sobre bons resultados”: segundo ela, “o mercado da arte contemporânea resiste bem” à crise. “Esperamos um grande público das Américas do Norte e do Sul, da Ásia e da Rússia, além dos europeus”, sublinhou.

Nesta quinta-feira, o evento estava lotado, com longas filas na entrada. A Fiac deste ano conta com 182 galerias de 23 países. Colecionadores do mundo todo vêm ao evento para adquirir obras no evento, que registra dezenas de milhões de euros em comercializações. Mas visitantes comuns também podem visitá-la apenas para admirar as coleções e ficar a par do que há de novidade no mercado.

A França conta com 66 galerias, seguida pelos Estados Unidos, com 34, a Alemanha com 29 e a Bélgica com 19, os países mais representados na mostra. O Brasil leva duas galerias: Raquel Arnaud e Luciana Brito, de São Paulo.

Neste ano, a FIAC transborda do Grand Palais e apresenta também espaços oficiais no Jardim das Tulherias, no Jardin des Plantes, na Esplanada des Invalides e na Praça Vendôme.
 

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