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Teatro/Peter Brook

Enigmas da mente é tema de nova peça de Peter Brook

Cena da peça "The Valley of Astonishment", de Peter Brook, em cartaz em Paris.
Cena da peça "The Valley of Astonishment", de Peter Brook, em cartaz em Paris. DR
Texto por: Patricia Moribe
3 min

Ele é considerado como um dos mais geniais criadores contemporâneos, com uma carreira que percorre mais de sete décadas pelo teatro, cinema e ópera. O visionário Peter Brook, 89 anos, está em cartaz em Paris com uma nova criação, a peça “The Valley of Astonishment”, algo como “vale do espanto”, em tradução livre.

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Em cena, uma viagem de sons, sensações, números e leituras de mundo inusitadas, a partir de pacientes que sofrem de distúrbios neurológicos como a sinestesia, que os fazem ter diferentes percepções do cotidiano, bagunçando os planos sensoriais. As cores são explicadas com sons, os números se acumulam no pensamento de uma pessoa.

O cenário é econômico, com algumas cadeiras e mesas. Três atores alternam vários papéis, seja das pessoas que sofrem porque percebem o mundo de maneira diferente ou das pessoas “normais”. A extraordinária atriz Kathryn Hunter faz a primeira paciente, dona de uma memória excepcional, o que a faz perder o emprego e a transforma em objeto de estudo cientifico e atração de circo. Marcello Magni e Jared McNeill fazem outros pacientes acometidos de sinestesia.

Os relatos do texto, escrito por Brook em colaboração com Marie-Hélène Estienne, são acompanhados pela música envolvente de Raphaël Chambouvet e Toshi Tsuchitori. Outro elemento importante no palco enxuto são as luzes, na iluminação criada por Philippe Vialatte.

O trabalho de Brook e Estienne é fruto de muitos anos de trabalho e pesquisas, influenciado pelo neurologista Oliver Sacks. O título da peça vem de uma das fontes de inspiração de Brook: o poema épico “Conferência dos Pássaros”, do poeta persa Fariddudin Attar. Os pássaros percorrem sete vales, entre eles o do espanto, numa longa e difícil jornada.

Parisiense de adoção

Peter Brook nasceu em Londres, em 1925, mas há mais de 40 anos adotou Paris como base.

Antes ele foi diretor residente da Royal Shakespeare Company, onde realizou montagens inovadoras dos grandes clássicos do bardo. Dirigiu filmes como Lord of the Flies e O Mahabharata. Sua última incursão na ópera, Flauta Mágica (2011), teve turnê mundial incluindo o Brasil.

Com a peça, Brook volta à “sua casa” em Paris, o teatro Bouffes du Nord, que ele dirigiu durante varias décadas. The Valley of Astonishment fica em cartaz até final de maio. Depois segue em turnê pela Europa e Estados Unidos.
 

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