Cinema/Polêmica

DSK vai processar diretor de filme inspirado em sua vida

Cartaz do filme "Welcome to New York", de Abel Ferrara, inspirado no escândalo que acabou com a carreira política do francês Dominique Strauss Kahn.
Cartaz do filme "Welcome to New York", de Abel Ferrara, inspirado no escândalo que acabou com a carreira política do francês Dominique Strauss Kahn. DR.

O ex-diretor do FMI, Dominique Strauss Kahn, vai entrar nos próximos dias com uma ação judicial por calúnia e difamação contra Abel Ferrara, diretor do longa "Welcome to New York" (Bem-Vindo a Nova York, em tradução livre). O filme é inspirado no escândalo sexual protagonizado por DSK há três anos em Nova York.

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"Welcome to New York" foi apresentado no sábado (17) em Cannes fora da competição. O advogado de Strauss Khan, Jean Veil, falou que o filme é uma "porcaria", um “excremento de cachorro” e tem vários aspectos “antissemitas”. Veil aconselhou o seu cliente e seus amigos e familiares a não verem o longa, que ele considerou “abominável”.

A ex-mulher de DSK, Anne Sinclair, disse que o filme a deixou "enjoada" e que os diálogos são “grotescos”. "As alusões à minha família durante a guerra são particularmente degradantes e difamatórias. Elas contam exatamente o contrário do que aconteceu. Meu avô [o comerciante de arte Paul Rosenberg] teve que fugir dos nazistas, e teve a nacionalidade francesa retirada pelo governo de Vichy.  Dizer outra coisa que não isso é calúnia", escreveu Sinclair na versão francesa do Huffington Post, site do qual é editora. Ela afirma, porém, que não pretende ir à Justiça. "Eu não ataco a sujeira, eu a vomito", afirmou.

O longa não será exibido nas salas de cinema, mas pode ser visto na Internet desde sábado. A intenção do advogado de DSK não é retirar "Welcome to New York" de circulação, pois isso seria um processo complexo. O objetivo é entrar com uma ação por calúnia e difamação.

Obra de ficção

Abel Ferrara argumenta que a obra é de ficção. No filme, aliás, o protagonista, interpretado por Gérard Depardieu, se chama Georges Devereaux, e não Dominique Strauss-Kahn. Mas a história é visivelmente inspirada no escândalo sexual que impediu a candidatura de DSK à presidência da França. Na versão cinematográfica, Strauss-Kahn estupra a camareira. Uma acusação que o ex-diretor do FMI sempre negou.

A produtora e distribuidora do filme, Wild Bunch, anunciou nesta segunda-feira que já contabilizou 48 mil vendas de "Welcome to New York" em seu primeiro dia de lançamento em diferentes plataformas de video on demand (VOD), ao preço de 7 euros (cerca de 22 reais).

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