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França/Cultura

Festival de Avignon ameaçado por greve dos profissionais do espetáculo

O espetáculo "Mai, juin, juillet" faz parte da programação do Festival de Avignon 2014
O espetáculo "Mai, juin, juillet" faz parte da programação do Festival de Avignon 2014 (c) Michel Cavalca
Texto por: Leticia Constant
4 min

O verão está chegando e com ele os famosos e aguardados festivais internacionais de teatro, música e dança organizados na França. Mas neste ano, o céu azul do mundo dos espetáculos está ameaçado pelas nuvens negras das greves. Dois festivais já tiveram suas apresentações canceladas.

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Utilizando a importância do Festival de Teatro de Avignon, o mais emblemático do verão europeu, técnicos e artistas do evento exigem que o ministro do Trabalho, François Rebsamen, não aprove o acordo assinado pelo patronato e três sindicatos (CFDT, FO e CFTC), que determina as novas regras para a indenização dos desempregados do setor, ou seja, o seu regime de seguro-desemprego.

Estatuto

Desde 1936, os profissionais do espetáculo beneficiam de um regime especial. Eles devem justificar 507 horas de trabalho, no mínimo, para receber um salário-desemprego durante oito meses.

O caráter particular da profissão explica este regime. Artistas e técnicos são contratados durante períodos curtos. Alguns exemplos: uma peça de teatro dura, em geral, quatro meses; um filme leva em torno de um mês e meio para ficar pronto. Nesse meio tempo, os profissionais ficam desempregados, o que não significa que ficam sem fazer nada. Continuam a ensaiar para manter a forma física ou a força de interpretação e, no caso de um produtor,  a divulgar o filme que foi realizado.

Reivindicações de 2014

Os profissionais do espetáculo querem conservar esse estatuto, enquanto que o Medef - sindicato patronal francês - prega justamente o fim dos regimes especiais.

Uma nova convenção de seguro-desemprego foi assinada em 22 de março passado por três sindicatos de trabalhadores (CFDT, FO, CFTC) e de empregadores (Medef, CGPME, UPA), e deve entrar em vigor em 1° de julho, depois de ter sido aprovada pelo ministério do Trabalho. Os profissionais pediram ao ministro François Rebsamen que não vote a favor da convenção.

O que pode mudar?

A nova convenção instaura um sistema de direitos que prolonga a duração das indenizações, porém, endurece o regime.

Os salários dos 112 mil profissionais indenizados atualmente terão um teto de €5.475 euros (cerca de R$16 mil) por mês. No entanto, haverá um prazo para o salário começar a ser pago, durante o qual os profissionais não receberão nada. Se aplicada, a medida afetará  48% dos profissionais contra 9% hoje.

O imposto sobre os salários vai passar de 10,8% a 12,8% (8% para os empregadores e  4,8% para os trabalhadores), duas vezes mais que no regime normal.

Ofensiva e negociações

Contando com o apoio do mundo das artes, os profissionais já começaram sua ofensiva e a vítima foi o festival 28ª  Primavera dos Atores, em Montpellier, no sul da França. Cinco peças teatrais foram anuladas.

Nesta quarta-feira (11), o primeiro dia do Festival Rio Loco, de Toulouse, o mais importante dedicado à música caribenha, também foi cancelado. Cem artistas subiram ao palco para explicar ao público as razões da greve.

Do lado do governo, foi criada uma comissão dirigida pelo deputado socialista Jean-Patrick Gille, para dialogar com os grevistas.

Amarga lembrança

Esta não é a primeira vez que os festivais franceses sofrem com os conflitos salariais entre profissionais e poder.

Em 2003, em pleno governo de Nicolas Sarkozy, uma restrição dos direitos havia sido estudada. A mobilização causou o cancelamento dos festivais mais importantes do país, entre eles, o Festival de Teatro de Avignon.

 

 

 

 

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