França/ Teatro

Artistas brasileiros em Avignon são solidários aos “intermitentes” franceses

Lucio Tranchesi e Alexandre Casali na peça "O Sapato do meu Tio" em cartaz no Festival de Avignon
Lucio Tranchesi e Alexandre Casali na peça "O Sapato do meu Tio" em cartaz no Festival de Avignon M. Alencar

O movimento dos profissionais do espetáculo na França, conhecidos como “intermitentes”, não podia passar desapercebido pelo grupo de 45 artistas e técnicos brasileiros que participam da programação do circuito paralelo Avignon Off esse ano. Entrevistados pela RFI, eles demonstraram solidariedade aos franceses e o desejo de que a categoria se una mais no Brasil para reivindicar os seus direitos.

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O 68° Festival de Avignon se tornou, sem dúvida alguma, uma vitrine para o movimento de protesto dos “intermitentes” que lutam contra a reforma do seguro-desemprego da categoria. Até agora, eles beneficiavam de um sistema especial e único no mundo.

Muitas faixas estão pregadas diante dos teatros e monumentos de Avignon com críticas ferozes ao governo francês e questionamentos sobre o papel da cultura na sociedade: “Cartão vermelho para o governo”; “A crise torna a cultura mais necessária”; Não é com o desemprego em alta que se deve reduzir os direitos dos desempregados”.

Alguns espetáculos já foram cancelados por greves, muitas manifestações são organizadas nas ruas e os artistas em cena usam, nos seus figurinos, um quadradinho vermelho de pano que é o emblema do movimento.

“Os artistas estão na corda bamba”

Essa efervescência sensibilizou os participantes das cinco companhias que participam da primeira “Temporada de Teatro Brasileiro” do circuito paralelo Avignon Off , organizado pelo festival Cena Brasil Internacional, com o apoio dos Ministérios brasileiros da Cultura e das Relações Exteriores.

“Eu tenho total solidariedade aos 'intermitentes' porque eu compreendo o que eles estão reivindicando. De fato, os artistas não têm uma perenidade de programação, estão na corda bamba, a gente também vive um cenário de insegurança”, afirma Camila Pitanga, que participa do elenco da peça O Duelo, da Mundana Companhia. “Eu gostaria muito que esses questionamentos que acontecem aqui chegassem ao Brasil”, acrescenta ela.

“Gostaríamos de uma classe mais unida”

Na mesma linha, o ator Lucio Tranchesi, do grupo baiano Cia do Meu Tio, observa o movimento dos “intermitentes” na França e conclui: “Nós gostaríamos de ter no Brasil uma classe mais unida de artistas, técnicos e de todos os profissionais do espetáculo. Nós estamos juntos com os 'intermitentes' franceses e com aqueles que produzem arte, que é algo difícil no mundo todo.”

Sérgio Saboya, diretor-geral do Cena Brasil Internacional, acredita que “é importantíssimo ter uma lei específica para os artistas”. Segundo ele, o Brasil não dispõe de um sistema semelhante ao dos “intermitentes”, mas existe uma lei sobre isso no Congresso brasileiro que nunca foi votada. Saboya acredita ser fundamental ter um “maior cuidado com o artista” para ajudá-lo em seus direitos e em sua aposentadoria.

Reportagem Avignon 07/07/14

As cinco companhias da Temporada de Teatro Brasileiro se apresentam no teatro Présence Pasteur, em Avignon, até 27 de julho.

Clique na foto para ver algumas imagens das passeatas dos artistas

 

 

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