França/Música

Morre francês RKK, jornalista e DJ louco pelo Brasil

Remy Kolpa Kopoul teve a arte de conectar todas as músicas do mundo durante décadas.
Remy Kolpa Kopoul teve a arte de conectar todas as músicas do mundo durante décadas. DR

Sua voz inconfundível animou durante mais de 20 anos os programas da revolucionária Radio Nova, apresentando as últimas tendências eletrônicas e da world music. DJ e amigo de muitos artistas brasileiros, Rémy Kolpa Kopoul, conhecido como RKK, foi uma das figuras mais importantes do cenário musical francês e europeu e um dedicado divulgador da música brasileira.

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A música foi o vetor de toda a vida e carreira de Rémy Kolpa Kopoul, um agitador cultural nato. Ele começou no jornalismo em 1973 no jornal de esquerda Libération, onde trabalhou por 11 anos.

Foi no contexto de seu trabalho no jornal francês que RKK começou a viajar ao Brasil nos anos 70, tendo sido um dos primeiros a fazer uma reportagem sobre Luiz Inácio Lula da Silva, na época em que era líder sindical.

RKK e o Brasil

Autor de uma crônica musical no Libération, e louco pela música brasileira, RKK acabou se tornando grande amigo de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e muitos outros, além de João Gilberto, que o escolheu para ser padrinho da sua filha, a também cantora Bebel.

A proximidade com os compositores e a paixão pela MPB fez com que ele organizasse festivais de música brasileira e jazz en Nice, no sul da França, e entre outras agitações, uma viagem com dezenas de franceses para curtir o carnaval de Recife, com direito a almoço na casa de Alceu Valença.

Essa conexão durou até o fim de sua vida, tendo entrevistado e apresentado centenas de artistas do Brasil que vieram à França.

DJ RKK

A partir dos anos 90, RKK começou a mixar nas noites parisienses. Sua cultura musical e a riqueza de estilo dos 5 mil discos de sua coleção espalharam sua fama pelo resto da França e pelo mundo; ele animou noitadas inesquecíveis no Brasil, Japão, China, Canadá e Inglaterra.

Há sete anos, ele também apresentava a soirée "Lundi c’est Rémy" ("Segunda é Rémy"), no Comedy Club, em Paris, rendez-vous obrigatório para os boêmios, amantes de música e para os artistas do mundo inteiro, de todos os estilos.

Neste 3 de maio, o incansável globe trotter musical estava em Brest, no noroeste da França, para mais um mix. O último.

Como lembrar de RKK

Festeiro, sempre com uma taça de champanhe na mão, camisetas coloridas e suspensório obrigatório, às vezes de bengala (depois de algumas operações), às vezes, não, e com um bando de amigas em volta. Amigas fiéis que o seguiam por toda a parte, junto com seus discos. Assim RKK levou a vida e assim deve tê-la deixado. Em Brest, depois de uma noitada de mix e alegria, rodeado de artistas e pessoas queridas, contando alguma das muitas histórias que viveu em toda uma vida de música.

RKK era tão único que inventou uma palavra para se autodefinir: "Connexionneur", que podemos traduzir por "Conectador", termo perfeito para a missão que escolheu, conectar pessoas, artistas, estilos e países.

Ele nunca casou, mas teve muitas namoradas. "No fundo, sou casado mesmo é com a música", ele me disse um dia, com seu ar de menino de olhos brilhantes, durante um mix no Comedy Club, em Paris.

Remy Kolpa Kopoul conta como conheceu a música brasileira

 

 

 

 

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