Argentina/Economia

Justiça americana suspende decisão que obrigava Argentina a pagar "fundos abutres"

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner; o país ganhou três meses de prazo para esperar a decisão da Corte de Apelações sobre o pagamento dos "fundos abutres".
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner; o país ganhou três meses de prazo para esperar a decisão da Corte de Apelações sobre o pagamento dos "fundos abutres". REUTERS/Enrique Marcarian

O governo argentino conseguiu ganhar tempo e afastar, ao menos temporariamente, o risco de um novo calote. A justiça americana suspendeu nesta quarta-feira o julgamento de um juiz de Nova York que obrigava a Argentina a depositar até 15 de dezembro US$ 1,3 bilhão a fundos especulativos, à espera da audiência na Corte de Apelações programada para o final de fevereiro.

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"Todos os julgamentos relativos a esse caso estão suspensos" até a audiência na Corte de Apelações, segundo a decisão judicial. Os debates estão previstos para o dia 27 de fevereiro.

Na quinta-feira da semana passada, um juiz federal do estado de Nova York, Thomas Griesa, havia ordenado à Argentina que pagasse esse montante a fundos detentores de títulos da dívida pública argentina e que haviam recusado uma renegociação após o calote de 2001. O governo argentino os chama de "fundos abutres".

A Argentina apelou dessa decisão, que havia provocado o temor de um novo calote e levado a agência de notação financeira Fith a baixar de cinco níveis a nota do país.

A suspensão do julgamento foi revelada inicialmente por uma mensagem postada nesta quarta-feira em sua conta no Twitter pelo embaixador argentino nos Estados Unidos, Jorge Argüello.

Em 2001, a Argentina deixou de pagar US$ 100 bilhões de dívida, obrigando a maioria dos seus credores a restruturarem seus títulos em 2005 e 2010. Mas alguns fundos especulativos recusaram essas trocas de títulos e continuaram a exigir a integralidade do valor.

Apesar dessa decisão, a Argentina continua obrigada a pagar até o dia 15 de dezembro US$ 3,1 bilhões, que correspondem a uma parcela dívida renegociada com seus credores.

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