Chipre/crise financeira

Chipre busca alternativa para evitar colapso financeiro

Manifestação diante do parlamento cipriota; cartaz diz "Melhor morrer de pé que viver de joelho".
Manifestação diante do parlamento cipriota; cartaz diz "Melhor morrer de pé que viver de joelho". REUTERS/Yannis Behrakis

Paralisada pela crise econômica e sob pressão de um ultimato europeu, o Chipre tentava a todo custo, nesta quinta-feira, evitar a ruína e o colapso de seus bancos. O Banco Central do Chipre propôs uma reestruturação do sistema bancário do país, proposta que será votada nesta sexta-feira pelo parlamento. A agência de notação Standard and Poor’s rebaixou a nota da dívida cipriota para CCC, ao avaliar que “os riscos de calote sobre a dívida estão aumentando”.

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Paralelamente, após uma nova teleconferência entre seus ministros das Finanças, a zona do euro se disse pronta a discutir uma nova proposta de Nicósia. Sem entrar em detalhes, o bloco europeu lembrou que o plano de resgate deve respeitar critérios já definidos, como o de um empréstimo com teto limite de 10 bilhões de euros. O governo cipriota deverá ir atrás de outros sete bilhões de euros necessários para evitar a falência.

O Banco Central do Chipre apresentou na quinta à noite um plano de emergência para reestruturar o setor bancário. O ‘plano B’ de Nicósia será votado nesta sexta-feira pelo parlamento, após a rejeição da proposta elaborada pelos europeus e pelo FMI, que previa cobranças excepcionais de impostos sobre contas bancárias.

O Banco Central Europeu, que tem mantido os bancos do Chipre operacionais com uma linha emergencial de liquidez, afirmou que o governo tem até segunda-feira para conseguir um acordo, ou os recursos serão cortados.

Os bancos vão permanecer fechados até o começo da próxima semana. As transações pela internet também estão bloqueadas há dias. Essas medidas e o aumento dos rumores levaram os cipriotas a fazer filas diante de caixas eletrônicos. Um porta-voz do Banco Popular do Chipre, segundo maior do país e mais ameaçado de todos, negou a possibilidade de um colapso. Mas no começo da noite de quinta-feira anunciou que as retiradas estavam limitadas a 260 euros por dia.

O governo disse que os líderes partidários concordaram em criar um "fundo de solidariedade" que reuniria ativos estatais como base para uma emissão emergencial de bônus, mas o porta-voz do Parlamento, Yiannakis Omirou, insistiu que um imposto revisado sobre depósitos maiores, muitos deles de russos, não está em discussão.

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