Europa

União Europeia e China endurecem discurso contra novo governo grego

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Reuters

A União Europeia endureceu o tom de seu discurso sobre a Grécia nesta quinta-feira (29), um dia após o novo governo do país anunciar uma série de medidas “anti-austeridade”. “Nós respeitamos a eleição na Grécia, mas a Grécia também deve respeitar os outros, a opinião pública e os parlamentares do restante da Europa”, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker em uma entrevista ao jornal Le Figaro.

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Juncker ressaltou que suprimir a dívida de Atenas está fora de questão, mas que “arranjos serão possíveis”. Outra reação veio do ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, para quem a alternância política na Grécia e as mudanças decididas pelo novo governo de Alexis Tsipras “não devem ocorrer em detrimento dos outros europeus”.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, deve visitar Atenas nesta quinta-feira. Ele também adotou um tom menos conciliador do que o habitual. Através da rede social LinckedIn, Shulz publicou que “se o novo governo do partido Syriza quiser dizer não para tudo, o momento de Tsipras poderá ter curta duração”, em um artigo chamado “Nem Drama Nem Dracma na Grécia”.

Chineses preocupados

Não apenas os europeus manifestaram inquietação nesta quinta-feira. A China se disse “vivamente preocupada” com uma das medidas anunciadas na quarta-feira: o governo Tsipras pretende suspender o processo de privatização do porto de Pireu, onde atua a Cosco, uma gigante asiática do transporte marítimo. “Vamos pressionar o governo grego a proteger os direitos e interesses legais das empresas chinesas na Grécia”, disse Shen Danyang, porta-voz do Ministério do Comércio chinês.

O anúncio de paralisação da privatização da infra-estrutura faz parte de um série de reformas que vai do aumento das aposentadorias ao salário mínimo, passando por medidas simbólicas como a retirada das barreiras que limitam o acesso do público ao parlamento.

 

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