Brasil/ economia

Para Dilma, austeridade é “diferente” na Grécia e no Brasil

Presidenta Dilma Rousseff durante II Cúpula UE-CELAC com o primeiro ministro grego, Alexis Tsipras.
Presidenta Dilma Rousseff durante II Cúpula UE-CELAC com o primeiro ministro grego, Alexis Tsipras. Roberto Stuckert Filho/PR

A presidente Dilma Rousseff evitou comparar as medidas de austeridade econômica adotadas pela Grécia com o aperto fiscal promovido pelo governo. A petista reuniu-se com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, nesta quinta-feira (11) em Bruxelas. Dilma ressaltou que, ao contrário de Atenas, Brasília não tem de promover o equilíbrio estrutural da economia.

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“Nós temos uma diferença. Nós fazemos um ajuste, mas nós não temos um desequilíbrio estrutural”, comentou a presidente. “Nós continuamos com US$ 370 bilhões de reservas. Nós temos um sistema financeiro absoltamente sem bolha”, afirmou, ressaltando que o país tem dinheiro para pagar as dívidas, de um valor inferior ao devido pela Grécia.

A presidente disse que o Brasil sabe o que é “ficar 20 anos sem crescer”. Ela explicou que, no país, a folha de pagamento tem um peso menos importante nos gastos do Estado do que na Grécia. Ela lembrou que o governo promoveu uma política econômica anticíclica para evitar o aumento do desemprego e a redução do poder aquisitivo da população. Para Dilma, é necessário “criar as condições” para que o país possa ajustar a economia sem piorar a crise. “Se você pesar a mão, você quebra o país”, disse.

A presidente voltou a defender o ajuste fiscal comandado pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Desenvolvimento, Nelson Barbosa. “Esse ajuste é um ajuste macroeconômico fundamental. Um ajuste fiscal não é igual”, observou. Ela também destacou que a recuperação da crise econômica internacional ainda está em curso, uma situação que pesa no Brasil.

“Marolinha” da crise “vira onda”

Questionada sobre a crise não ter sido “uma marolinha” no país, como havia afirmado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2008, Dilma admitiu que a situação se complicou. “Para nós, naquele momento, foi [marolinha]. Mas depois a marola se acumula e vira uma onda”, disse, evocando a lenta recuperação americana e os índices de crescimento econômico negativos na Europa.

A presidente reconhece que os números da inflação “preocupam bastante”, mas indicou que o governo está fazendo o necessário para equilibrar os índices. “A inflação é um objetivo que nós temos de derrubar e derrubar logo. O Brasil não pode conviver com uma taxa alta de inflação. Não pode e não vai.”

Para ela, a inflação elevada neste ano é “atípica”, fruto da correção cambial, dos efeitos da seca e do aumento dos juros nos Estados Unido.

 

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