Brasil/Copa

Felipão não queria Chile como adversário do Brasil nas oitavas

O treinador Luiz Felipe Scolari orienta Neymar durante o jogo contra Camarões.
O treinador Luiz Felipe Scolari orienta Neymar durante o jogo contra Camarões. Foto: Reuters

A goleada de 4 a 1 sobre Camarões na última rodada da fase de grupos fez a seleção brasileira cumprir seu principal objetivo, que era o de terminar em primeiro na chave, posição garantida pela diferença favorável no saldo de gols contra o México (5 -3). Na próxima fase, o Brasil enfrenta um adversário conhecido e com quem tem um retrospecto favorável, mas não era exatamente o rival que o treinador Felipe Scolari desejava.

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"O campeão voltou." Foi com esse lema que os mais de 69 mil torcedores do Mané Garrincha receberam a seleção brasileira no jogo decisivo contra Camarões. E tudo começou acelerado, com muita pressão. Até que ele, Neymar, abriu o marcador aos 17 minutos. Surpreendente foi a reação de Camarões. Eliminada, mas sem complexos, a equipe africana foi para cima e empatou o jogo aos 26’ com Joel Matip, após falha da defesa brasileira pela direita.

O susto durou até que o camisa 10 balançasse de novo as redes antes do final do primeiro tempo. Com gols, dribles e toques geniais, Neymar encantou, marcou seu quarto gol na Copa e foi escolhido o melhor jogador em campo pela Fifa. Mas, ao ser alvo de faltas mais violentas do time africano, Felipão decidiu poupá-lo quando o time já ganhava de 3 a 1. Neymar não se incomodou com a substituição e entendeu o treinador, já que está pendurado com um cartão amarelo.

“Ele me tirou com medo de eu lever uma pancada, mas não é uma coisa que me preocupe. Eu jogo tranquilo e se eu tiver que fazer uma falta vou fazer para ajudar o time. É claro que o (cartão) amarelo incomoda um pouco, mas agora que tomei, tenho que ir", disse.

Neymar nega que a seleção brasileira seja dependente do seu futebol. "O time não depende só de mim. Depende do David Luiz, do Thiago, do Luiz Gustavo correndo para cima e para baixo, do Oscar, do Fred. Todos têm a sua importância”, destacou.

Escolhido pela segunda vez como melhor jogador em campo pela Fifa, depois da estreia contra a Croácia, Neymar refutou a percepção de que Camarões era um adversário fraco na competição. “Não existe isso de adversário fraco. Todos estão muito iguais, correndo e se dedicando", afirmou.

"O futebol está ficando cada vez mais difícil e vamos encontrar um adversário com um poderio muito forte. Teremos que descansar, trabalhar, acertar os detalhes que ainda faltam para a gente chegar muito bem na partida", avisou.

Fred vai dormir tranquilo

Outro alívio na seleção foi o gol de Fred, de cabeça, no início do segundo tempo. O jogador respira mais aliviado e confessa que vai dormir mais tranquilo, depois de tantas críticas. "Recebi muitas críticas injustas e até maliciosas, mas nada que me abalasse. Elas só serviram para me fazer crescer. Algumas foram justas, tenho que concordar, mas muitas desrespeitosas e só serviram de combustível", garantiu.

O centro-avante confessou que vai conseguir, enfim, colocar a cabeça no travesseiro e descansar. "Vou dormir bem, não só pelo gol, como pela vitória do time inteiro. A equipe evoluiu bem.”

Felipão voltou a elogiar Fred e confirmar sua inteira confiança no jogador. “Quando a equipe equilibrou, o Fred apareceu. Ele é da minha inteira confiança", salientou. E explicou o novo comportamento do atacante em campo : "Ele teve uma posicionamento tático diferente, ajudando na marcação, como na Copa das Confederações. Tudo isso vem em benefício do Fred e da seleção”.

A Copa das Confederações é citada constantemente e, no caso de Fred, é lembrada por ter sido a competição em que o atacante “desencantou” no terceiro jogo da competição e terminou como artilheiro, gerando a expectativa de que o cenário se repita no Mundial.

Mudanças

O treinador Felipão aproveitou o jogo contra Camarões para mexer e bastante no time. No intervalo, sacou Paulinho para a entrada de Fernandinho, meia que correspondeu às expectativas e marcou o quarto gol, que garantiu primeiro lugar no grupo. Paulinho está consciente de que pode ficar de vez no banco de reserva.

"Para mim não tem problema se começo no banco ou jogando. Se o Felipão acha que tem que entrar um ou outro jogador, todos têm que estar preparados para atuar quando a oportunidade surgir", afirmou, após ver todo o segundo tempo ao lado dos reservas.

Wiliam e Ramires, nos lugares de Neymar e Hulk, foram as outras opções escolhidas pelo treinador para dar movimentação e articulação nas jgoadas de meio campo e ataque.

Neymar comemora a vitória do Brasil contra Camarões e a conquista da vaga para as oitavas de final.
Neymar comemora a vitória do Brasil contra Camarões e a conquista da vaga para as oitavas de final. Foto: Reuters

Com o início do mata-mata, o Brasil não terá direito a erros contra o Chile, um adversário indigesto para Felipão. "Seu eu pudesse escolher, seria uma outra seleção. Eu acho também difícil por se tratar de uma seleção sul-americana. É catimba, qualidade, organização. Tudo isso o Chile tem", disse Felipão.

O zagueiro Thigo Silva não compartilha a mesma opinião. “O Chile é o time sul-americano que menos faz a catimba. É um time que gosta de jogar, seus jogadores têm personalidade e gostam de sair jogando. Acho que a catimba não vai existir, mas a gente tem que estar preparado para esse tipo de coisa", admitiu.

Scolari já disse que vai repensar o esquema de treinos e ver e rever muitos jogos dos adversários do próximo sábado.

Jogadores e comissão técnica já sabem que vão ter de dar duro para enfrentar um freguês em Copas, mas que mostrou poder de fogo ao mandar para casa a Espanha, atual campeã. "O Chile é dificuldade. Pauleira agora para a gente e teremos que evitar ao máximos os erros. Vamos procurar evoluir do jogo de hoje para fazer uma grande partida e sairmos classificados", defendeu David Luiz.

“Temos consciência que os treinamentos vão ser um diferencial para a gente poder ganhar o jogo. Precisamos entender o plano de jogo deles da melhor maneira possível. Assim como a gente entendeu hoje o jogo deles (Camarões)", afirmou. "Quando a gente consegue ter a maturidade e a inteligência suficientes para entender o plano (do adversário) e todo mundo pensar da mesma forma, fica mais fácil", concluiu.

 

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