Brasil/Copa

Brasil e Colômbia se enfrentam nas quartas em clima de respeito mútuo

Neymar (esq.), Marcelo (centro) e David Luiz brincam durante treino do Brasil em Fortaleza.
Neymar (esq.), Marcelo (centro) e David Luiz brincam durante treino do Brasil em Fortaleza. Foto: Reuters

Em um confronto inédito pela disputa de uma vaga na semifinal da Copa, Brasil e Colômbia se enfrentam nesta sexta-feira (5) em Fortaleza em clima de muito respeito mútuo e na expectativa de saber quem vai brilhar mais entre duas grandes estrelas da competição, Neymar ou James Rodríguez, artilheiro do Mundial. Sem o clima de "guerra" que existe contra outras nações sul-americanas, treinadores e jogadores das duas equipes prometem um "espetáculo" de futebol na Arena Castelão. 

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Elcio Ramalho, enviado especial da RFI à Fortaleza,

O brasileiro Luiz Felipe Scolari e o argentino José Pekerman, treinador da Colômbia, decidiram blindar os jogadores no último treino antes do confronto e fazem mistério sobre a escalação das duas equipes para o jogo crucial. As estratégias são mantidas sob sigilo e pouco foi filtrado sobre as intenções de cada seleção para enfrentar o adversário.

Com o gramado do Castelão poupado para o jogo, a Colômbia se preparou no campo de uma universidade de Fortaleza e a seleção brasileira treinou no estádio Presidente Vargas. Felipão autorizou apenas os quinze primeiros minutos das atividades para a imprensa observar e a ausência de Fred entre os titulares gerou especulações. Mas o atacante esteve em campo quando o coletivo foi fechado.

Durante a entrevista coletiva nesta quinta-feira, na Arena Castelão, Felipão confirmou que não descarta usar o zagueiro Henrique à frente da zaga durante a partida, como fez no treino durante a semana na Granja Comary. "Vai depender do andamento e do resultado do jogo. É uma opção", explicou Scolari ao lembrar que já pediu ao jogador exercer essa função quando trabalharam juntos no Palmeiras.

Sem marcação especial para James

O treinador ainda descartou uma marcação especial sobre o maior destaque da seleção colombiana, James Rodríguez, que marcou cinco dos onze gols da Colômbia até agora e chegou às oitabvas como o artilheiro da Copa. "Nós vamos fazer um marcação sobre a Colômbia. Vamos fazer marcação por setor, como sempre", garantiu.

Durante os 30 minutos de uma entrevista tensa no estádio, principalmente quando responderam sobre o estado emocional dos jogadores, Felipão e o capitão Thiago Silva procuraram mostrar otimismo e confiança. Sem falar abertamente em favoritismo, o técnico projetou o Brasil na fase seguinte e garantiu que contra a Colômbia, o jogo da seleção deverá fluir mais. .

"Eu gosto de ver a Colômbia jogar, os jogadores têm muita disciplina técnica e tática, nada diferente do meu time. Vai ser um bom jogo de futebol", acredita. Felipão fez questão de comparar o comportamento dos colombianos com o de outars nações sul-americanas com quem o Brasil tem um "clima de guerra".

"Nossas guerras são contra Chile, Uruguai e Argentina. Os jogos com a Colômbia, amistosos ou em competição, são disputados com força, vigor e sem a rivalidade", esclareceu. "Como não temos guerra (contra a Colômbia), nossos jogadores se sentem mais à vontade. Quer você aceite ou não, os argentinos, uruguaios e chilenos,catimbam, jogam em cima do nosso time com malandragem, perspicácia", comentou."A Colômbia é um time mais técnico que o Chile, tem força e joga com um espírito e uma dinâmica diferentes. Joga um futebol jogado", concluiu.

Ao seu lado na coletiva, o zagueiro Thiago Silva também deixou clara sua preferência por enfrentar a seleção colombiana. "A Colômbia tem um futebol bem parecido com o nosso. É uma escola parecida com a nossa, dois times que gostam de jogar muito bem tecnicamente, e é bem postada atrás", disse. "O setor defensivo é coeso e compacto. A gente conhece bem essa equipe, mas não quer dizer muita coisa. Eles têm todo o nosso respeito e será um jogo bonito, de muita qualidade", prevê.

"Cafeteros" confiantes

Nós confrontos diretos, a seleção brasileira tem um histórico de ampla vantagem sobre a Colômbia. Em 25 partidas disputadas, o Brasil venceu 15, empatou 8 e só perdeu duas vezes para os "Cafeteros", como são conhecidos os jogadores colombianos. Mas os empates nos úlitmos quatro jogos entre as duas equipes, revelam as dificuldades que o Brasil vem enfrentando para superar um adversário que por muito tempo foi considerado "freguês".

O treinador da Colômbia José Pekerman (à esq.) e o jogador James Rodríguez durante treino da seleção em Fortaleza..
O treinador da Colômbia José Pekerman (à esq.) e o jogador James Rodríguez durante treino da seleção em Fortaleza.. Foto: Reuters

Motivados pela campanha com quatro vitórias e um aproveitamento de 100% na Copa, os jogadores esbanjam otimismo e o treinador argentino José Pekerman é considerado o grande responsável pela fase excepcional da equipe. Ao assumir a seleção colombiana em 2012, o “Professor”, como é conhecido no país, transformou o jogo e a mentalidade do elenco.

"O Professor nos ajudou muito a aprender a jogar em qualquer estádio, vimos isso nas eliminatórias. Ele nos ajudou muito a colocar em nossas cabeças de que éramos bons, e que como colombianos, com a bola nos pés, nos divertimos", afirmou o lateral esquerdo Camilo Zuniga. "Foi fundamental a chegada do Professor e está refletido nos resultados. Esperamos, com a ajuda de Deus, que as coisas continuem como estão caminhando e agora é pensar no Brasilé, disse durante a entrevista no estádio.

O experiente treinador, que já entrou para a história ao classificar a Colômbia às quartas de final de uma Copa, revelou toda sua satisfação em enfrentar a seleção brasileira nesse estágio da competição.

"Estou feliz porque o Brasil é pentacampeão mundial, o maior da história. Aquele em que todo o mundo do futebol admira a equipe, seu povo, seus jogadores e treinadores, e de quem aprendemos o estilo de jogo que amamos", declarou.

"Os jogadores (colombianos) estão muito felizes e sabemos que a partida será muito difícil porque é um rival de altíssimo nível. Mas, ao mesmo tempo, estamos preparados para desfrutar dessa partida", afirmou. "Respeitamos e sabemos que o Brasil tem grandes jogadores, mas observamos que Colômbia também tem. E quando se tem jogadores assim, a partida vai ser muito interessante e muito acirrada", acredita.

 

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