Fifa/Blatter

Após reeleição, Blatter contra-ataca e diz que não pedirá demissão

Joseph Blatter contesta as críticas e diz ser vítima do "ódio" da UEFA.
Joseph Blatter contesta as críticas e diz ser vítima do "ódio" da UEFA. REUTERS/Arnd Wiegmann

Poucas horas após ter sido reeleito presidente da Fifa, Joseph Blatter se exprimiu sobre as críticas lançadas durante a semana com a prisão de dirigentes da instituição. O suíço disse ter sido vítima do "ódio" da UEFA, contesta os ataques vindos dos Estados Unidos e confirma que não vai pedir demissão, mesmo se não pretende tentar se reeleger no final deste mandato. 

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Em entrevista ao canal de televisão suíço RTS, Blatter não poupou críticas aos Estados Unidos, que lançaram a acusação de corrupção contra os dirigentes da Federação Internacional de Futebol. “Os norte-americanos eram candidatos para sediar a Copa do Mundo de 2022 e perderam (...) não devemos esquecer que eles também são os principais patrocinadores da Jordânia, ou seja, de meu adversário”, disse o presidente, em alusão ao príncipe Ali bin Al Hussein, seu único rival no páreo pela direção da Fifa, que abandonou a disputa após o primeiro turno.

Blatter também disse ser alvo do “ódio” da União das Federações Europeias de Futebol. “Ninguém vai tirar da minha cabeça que esse ataque norte-americano, dois dias antes da eleição da Fifa, mas também a reação da UEFA e de Platini não são uma simples coincidência”, disse o presidente, em referência às declarações do presidente da instituição europeia, que pediu sua demissão após a divulgação do escândalo. “Não tenho certeza, mas isso não cheira nada bem”, completou. “Eu perdôo todo mundo, mas não esqueço”, sentenciou o suíço ao ser indagado sobre suas relações com o dirigente francês.

Blatter descarta demissão

Ao ser questionado sobre seu futuro à frente da Fifa após o escândalo que resultou na prisão de sete dirigentes da instituição, entre eles o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF, Blatter disse que vai se manter no cargo. “Porque eu pediria demissão?”, retrucou o suiço ao jornalista da RTS, que usou o exemplo das grandes multinacionais, onde o presidente sempre deixa o cargo quando membros de seu conselho de administração são detidos em casos de corrupção. “Pedir as contas seria aceitar e dizer que estou errado no que está acontecendo. Eu luto desde 2011 (data de sua eleição anterior) junto com as diferentes comissões (da Fifa) contra a corrupção”, se defendeu. “Se vocês olharem a composição do comitê executivo da federação em dezembro de 2010 e hoje, verão que metade dos membros não está mais lá”, analisou Blatter. O presidente também confirmou que esse será seu último mandato e prometeu “entregar uma Fifa mais forte ao sucessor”.

O suíço, de 79 anos, preside a Federação Internacional do Futebol desde 1998. 

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