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Fifa/Corrupção

África do Sul nega ter comprado a Copa, mas confessa pagamento à Fifa

Jack Warner, ex-presidente da Concacaf, é acusado de ter recebido US$ 10 milhões de propina da África do Sul.
Jack Warner, ex-presidente da Concacaf, é acusado de ter recebido US$ 10 milhões de propina da África do Sul. REUTERS/Andrea De Silva
Texto por: RFI
3 min

O presidente da Federação Sul-africana de Futebol (Safa) reconheceu neste domingo (31) que o país pagou US$ 10 milhões em 2008 à Fifa, mas garantiu que não se tratava de compra de votos para ter o direito de sediar a Copa do Mundo-2010. Vários membros do comitê executivo da Federação Internacional de Futebol começaram a ser interrogados pela justiça suíça, que não descarta convocar o presidente da entidade, Joseph Blatter.

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A justiça norte-americana, que lançou a investigação sobre o escândalo de corrupção envolvendo a Fifa, acusa o governo sul-africano e o comitê de candidatura para o Mundial-2010 de ter pago US$ 10 milhões para Jack Warner, ex-presidente da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), em troca de três votos a favor da África do Sul. Questionado pelo jornal Sunday Independent, o presidente da Safa, Danny Jordaan, que dirigia o comitê de organização da Copa do Mundo de 2010, reconheceu que a soma foi paga em 2008. No entanto, o dirigente explica que o valor, destinado a um fundo de desenvolvimento da Concacaf, teria sido deduzido dos US$ 100 milhões pagos à África do Sul pela Fifa para a organização da Copa.

Além disso, Jordaan ressalta que em 2008 seu país já havia sido escolhido para sediar o evento. "Como poderíamos ter pago propina depois de termos sido eleitos?", retrucou. "Nunca paguei ou aceitei suborno ou algo parecido em toda minha vida", declarou. A África do Sul, que foi candidata a sediar o mundial de 2006, acabou sendo escolhida em 2010, vencendo Egito e Marrocos.

Justiça suíça começou interrogatórios

A Procuradoria Geral da Suíça já começou a ouvir os membros do comitê executivo da Fifa sobre o escândalo de corrupção, revelado dois dias antes do 65° congresso da entidade. Sem dar detalhes, André Marty, porta-voz da justiça suíça, disse apenas que os dirigentes interrogados eram "pessoas suscetíveis de fornecer informações" para a investigação penal sobre a atribuição das copas da Rússia e do Catar.

A lista de testemunhas ouvidas não foi confirmada, mas a justiça afirma já ter ouvido todos os executivos que votaram, em 2010, para a atribuição da seda das copas do mundo de 2018 e 2022, dando prioridade para os que não são residentes suíços. Segundo Marty, "o presidente da Fifa não será interrogado neste momento" da investigação, mas "poderá ser no futuro, caso seja necessário".

A justiça suíça prendeu sete dirigentes da Fifa na quarta-feira (27) num hotel em Zurique, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Apesar do escândalo, Joseph Blatter foi reeleito, dois dias depois, para um quinto mandato como presidente da federação.

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