Futebol/Fifa

Pressionado diante de escândalo de corrupção, Blatter renuncia

Blatter renunciou ao cargo menos de uma semana após ter sido reeleito.
Blatter renunciou ao cargo menos de uma semana após ter sido reeleito. REUTERS/Arnd Wiegmann

O presidente da Fifa anunciou nesta terça-feira (2) que renuncia ao cargo, menos de uma semana após ter sido reeleito para dirigir a Federação Internacional de Futebol pela quinta vez consecutiva. Joseph Blatter, de 79 anos, vinha sendo pressionado desde a revelação do escândalo de corrupção envolvendo vários dirigentes da instituição. A escolha de um novo chefe vai levar pelo menos quatro meses. 

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Joseph Blatter anunciou sua renúncia em um breve discurso na sede da Fifa, em Zurique. Segundo ele, a decisão foi tomada por que “seu mandato não contava com o apoio do mundo do futebol”. O dirigente informou que vai convocar um congresso extraordinário para a eleição de um novo presidente. “Eu vou continuar a exercer minhas funções até lá (...) e vou me concentrar para fazer reformas ambiciosas”, disse o suíço, que ressaltou a importância de uma “profunda reestruturação” na instituição.

O presidente estava no centro da polêmica após a prisão, dois dias antes de sua reeleição, de sete dirigentes da Fifa, entre eles dois vice-presidentes e o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF, acusados de corrupção. Blatter havia classificado a prisão dos cartolas como uma tempestade passageira e disse que a atitude deles deveria ser vista de forma individual e não poderia ser relacionada à instituição como um todo.

O anúncio da renúncia de Blatter foi feito poucas horas após a Fifa ter reconhecido, por meio de um comunicado, ter efetuado uma transferência de US$ 10 milhões "para um projeto de desenvolvimento do futebol no Caribe". O dinheiro teria sido usado como propina para que o ex-presidente da Concacaf, Jack Warner, votasse na África do Sul na eleição para a sede da Copa do Mundo de 2010. A federação garante, no entanto, que nem o secretário-geral da entidade, Jerôme Valcke, nem outro membro da cúpula estão envolvidos no escândalo.

Reação de Platini

A renúncia de Blatter ao cargo de presidente da federação foi saudada por Michel Platini, presidente da União das Federações Europeias de Futebol (UEFA). Segundo o francês, essa foi "uma decisão difícil, corajosa, mas a decisão certa”. Crítico ferrenho de chefe da Fifa, Platini já havia pedido a demissão de Blatter e apoiou a campanha do príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein, derrotado na eleição realizada na sexta-feira (29), no 65° congresso da entidade. Al-Hussein deve se apresentar novamente para o pleito.

Domenico Scala, presidente da Comissão de Auditoria e Conformidade da Fifa, afirmou que um prazo de pelo menos quatro meses será necessário para preparar um novo congresso. “A decisão do calendário de eleição do novo presidente será tomada pelo comitê executivo” e deve acontecer entre dezembro e março de 2016, informou Scala.

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