União Europeia/ Mercosul

Primeira rodada de negociações sobre tratado de livre comércio termina em impasse

Líderes da União Europeia e do Mercosul reunidos durante cúpula dos dois blocos em Madri no dia 17 de maio de 2010
Líderes da União Europeia e do Mercosul reunidos durante cúpula dos dois blocos em Madri no dia 17 de maio de 2010 REUTERS/Andrea Comas

A primeira rodada de negociações que busca o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia terminou nesta sexta-feira, em Buenos Aires, sem muitos avanços. As discussões foram retomadas após seis anos de interrupção. Os produtos agrícolas continuam sendo o principal motivo de divergência entre os dois blocos.  

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O chefe da delegação brasileira, Evandro Didonet, reconheceu que durante os quatro dias de debates, iniciados na última terça-feira, ainda não se chegou a um encaminhamento das negociações. Ele explicou que a primeira etapa da retomada das conversas, interrompidas há seis anos, é rever os textos aprovados anteriormente e criar um novo cronograma.

Segundo a agenda dos trabalhos que foi definida esta semana, haverá troca de informações entre os dois blocos até setembro, quando diferentes grupos de trabalho participarão de uma videoconferência e marcarão a próxima reunião negociadora.

Essa primeira rodada foi marcada pela ameaça da União Europeia de não continuar as negociações com o Mercosul se a Argentina não liberar a entrada em seu mercado dos produtos alimentícios europeus.

O diretor geral do bloco europeu, João Aguiar Machado, confirmou em entrevista coletiva à imprensa que na próxima semana vai denunciar o país sul-americano na OMC (Organização Mundial de Comércio).

A ministra da Indústria da Argentina, por sua vez, voltou a desmentir a aplicação de barreiras contra os produtos europeus. Debora Giorgi disse que todas as restrições do comércio internacional aplicadas pela Argentina estão em sintonia com as regras da OMC.

A ministra deixou claro que o país vai continuar defendendo a produção argentina da concorrência desleal e injusta. A referência diz respeito ao temor argentino de que a crise europeia leve alguns países dessa região a invadir o mercado local com seus produtos por falta de demanda interna na Europa.

 

Marina Guimarães, colaboração para a RFI em Buenos Aires

 

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