ITália

Presidente de banco do Vaticano diz que erro gerou suspeita de fraude

O presidente do Instituto para Obras Religiosas do Vaticano, Ettore Gotti Tedeschi.
O presidente do Instituto para Obras Religiosas do Vaticano, Ettore Gotti Tedeschi. Reuters/Remo Casilli

Autoridades judiciais italianas se reuniram hoje para estudar os passos seguintes, após as investigações preliminares sobre suspeitas de lavagem de dinheiro pelo banco do Vaticano. O diretor da instituição financeira afirma que um erro de procedimento está sendo usado para atacar a Santa Sé.

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Lisa Maria Silva, correspondente da RFI em Roma

Ettore Gotti Tedeschi e Paolo Cipriani, respectivamente presidente e diretor-geral do Instituto para Obras Religiosas (IOR), conhecido como banco do Vaticano, poderão ser convocados para prestar depoimento no Tribunal de Justiça de Roma. Eles deverão esclarecer certas transações financeiras identificadas entre o IOR e outros grupos bancários que, segundo procuradores do tribunal, poderiam mascarar operações de lavagem de dinheiro.

A Procuradoria de Roma localizou e bloqueou operações com valores calculados em 23 milhões de euros, que o IOR estava transferindo para o grupo JP Morgan de Frankfurt e para a rede bancária italiana Banca del Fucino. Os investigadores registraram também os depoimentos de dirigentes e responsáveis do grupo bancário Crédito Artigiano, que é controlado pela rede chamada Crédito Valtellinese, onde o IOR tinha aberto uma conta corrente, para dar seqüência a estas e outras transações financeiras.

O Vaticano reagiu com uma nota oficial declarando plena confiança nos executivos do banco, destacando o comportamento profissional dos dois dirigentes. Ao mesmo tempo, manifestou surpresa pela ação dos juízes do Tribunal de Roma. Pela primeira vez, eles aplicaram um acordo firmado em 2007 entre o Vaticano e o Ministério da Justiça italiano que permite a abertura de inquérito contra o banco da Santa Sé, caso as autoridades judiciais italianas considerassem a medida necessária.

Ettore Gotti Tedeschi se declarou profundamente humilhado pela ação judicial, mas até agora não forneceu esclarecimentos sobre a natureza, o objetivo e os destinatários das operações financeiras.

Os juízes do Tribunal de Roma decidiram manter bloqueados os movimentos de contas correntes do Instituto para Obras Religiosas.

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