Portugal/Crise Econômica

Instabilidade econômica balança política portuguesa

O primeiro-ministro português, José Sócrates, já avisou que pode renunciar caso o plano de austeridade não seja aprovado.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, já avisou que pode renunciar caso o plano de austeridade não seja aprovado. Reuters

As medidas de rigor apresentadas pelo governo português para tentar tirar o país da crise econômica dividem a população e podem provocar a saída do primeiro-ministro José Sócrates do poder. Ele já avisou que pode renunciar caso o plano de austeridade não seja aprovado pela Assembléia no final do mês.

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Em plena crise econômica, Portugal atravessa também uma crise política que pode levar o país à eleições legislativas antecipadas. Apesar de Bruxelas ter considerado fundamental a implementação do novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), apresentado pelo ministro das finanças português, Fernando Teixeira dos Santos no último dia 11 de março, a oposição se demonstrou totalmente contrária e iniciou uma onda de protestos contra o governo.

O primeiro-ministro, José Sócrates, declarou nesta terça-feira durante entrevista divulgada por um canal de televisão português, que caso o plano de austeridade não seja aprovado, "a palavra deverá ser dada ao povo". Ele afirma que estaria disposto à renunciar, pois se recusa a comparecer "de mãos abanando" diante dos parceiros europeus.

O ministro das finanças disse nesta quarta-feira que se o parlamento rejeitar este pacote de medidas, o pedido de ajuda financeira exterior seria inevitável, o que certamente agravaria a situação do país. Segundo a última pesquisa realizada, o Partido Socialista, do qual Sócrates faz parte, ficaria com 30,6% dos votos no caso de eleições antecipadas. Já a oposição, o PSD (centro-direita), que representa a maioria no parlamento, ficaria com 36,9% dos votos.

A votação do novo PEC (que visa reduzir pensões e aposentadorias, cortes nas despesas com saúde e principalmente diminuição do seguro-desemprego), deve acontecer nos dias 24 e 25 de março na Assembléia da República.

Com a colaboração de Bruna Sá
 

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