Bélgica/Crise Política

Crise política na Bélgica bate recorde mundial

Belgas manifestaram várias vezes contra o impasse político no país
Belgas manifestaram várias vezes contra o impasse político no país Reuters

Os belgas completam nesta terça-feira 289 dias sem governo e já ultrapassam o recorde batido pelo Iraque. As autoridades do país não conseguem conciliar os partidos flamengos, que reclamam mais autonomia regional, e os francófonos. Os assuntos em andamento continuam sendo tratados pela equipe do ex-premiê, Yves Leterme.

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A crise política na Bélgica, que começou em junho do ano passado, quando o governo de Yves Leterme renunciou, tem razões econômicas. Os flamengos, que representam 60% dos 10 milhões de belgas, querem a autonomia de Flandres, ao norte, e consideram que sustentam os francófonos. Já os belgas de língua francesa, concentrados em Bruxelas e na região sul, a Valônia, procuram limitar tal descentralização com receio de perda de ajuda financeira.

Desde junho a Bélgica tenta encontrar uma solução para as tensões políticas entre os dois campos. Em janeiro 35 mil pessoas saíram às ruas na “Marcha da Vergonha”, e no dia 17 de fevereiro milhares de pessoas fizeram, com uma boa dose de humor, a “revolução da batata frita” (uma alusão a um dos pratos típicos do país). Mas nenhuma das duas manifestações teve efeito real nas altas esferas políticas.

Os belgas já haviam batido um primeiro recorde em fevereiro, ao acumular 249 dias sem governo, mas nesta terça-feira o pequeno país europeu ultrapassou os iraquianos na duração da crise política. Em 2010 o Iraque levou 249 dias para concluir um acordo de distribuição do poder entre xiitas, sunitas e kurdos e mais 40 dias para que um governo assumisse o poder.
 

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