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FMI/sucessão

Europeus buscam candidato único para manter controle do FMI

Sede do FMI em Washington.
Sede do FMI em Washington. imf.org
4 min

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, afirmou nesta sexta-feira que a União Europeia vai anunciar em breve um candidato único do bloco para disputar o cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, após o pedido de demissão do francês Dominique Strauss Kahn do cargo.

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“Nós precisamos de um candidato europeu único e estamos buscando aquele que seria mais qualificado e que teria as melhores chances de ser escolhido”, declarou o ministro. “Uma decisão vai ser tomada em breve”, adiantou.

Segundo Schäuble, a Alemanha não exclui apresentar um candidato próprio. Na quinta-feira, fontes próximas da chanceler Ângela Merkel disseram que a chefe do governo alemão tem uma grande estima pela ministra francesa da Economia Christine Lagarde, embora nenhuma decisão tenha sido tomada oficialmente pelo governo.

Outros nomes na lista dos europeus cotados para suceder Strauss-Kahn são o ex-ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück, e o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown.

Em entrevista nesta sexta-feira à rádio La Ser, o primeiro-ministro espanhol José Luiz Rodriguez Zapatero defendeu que o próximo diretor-gerente do FMI seja um europeu.

Uma pesquisa realizada pela agência de notícias Reuters revelou que Christine Lagarde é apontada como favorita. De 56 especialistas ouvidos pela sondagem, 32 estimam que ela vai dirigir o Fundo Monetário Internacional. Na quinta-feira, em Paris, a ministra francesa não comentou sobre suas ambições, apenas declarou que “toda candidatura, seja qual for, deverá vir dos europeus que devem estar unidos”.

Emergentes

Os três principais países emergentes do G20, Brasil, China e México, pediram que o próximo diretor do Fundo seja escolhido pelo seu mérito e não por sua nacionalidade. Acreditam que está na hora de o FMI traduzir o peso das potências emergentes no cenário econômico global.

Desde a sua criação, em 1944, o FMI é dirigido por um europeu como parte de um acordo tácito com os americanos que ficam com o controle do Banco Mundial.

Nesta quinta-feira, o ministro do Orçamento do México, Ernesto Cordero, se pronunciou a favor da candidatura ao cargo de diretor-gerente do FMI do diretor do Banco do México, Agustin Carstens. “É o melhor candidato para o FMI”, declarou. Agustín Carstens ocupou o posto de presidente do comitê de Desenvolvimento do FMI e do Banco Mundial entre março de 2007 e outubro de 2009.

A Comunidade dos Estados Independentes, que reúne alguns países do ex-bloco soviético, já indicou seu candidato: o chefe do Banco Central do Cazaquistão, Grigori Martchenko.

Processo

O Fundo Monetário Internacional começou nesta quinta-feira o processo para a sucessão de Strauss-Kahn. O diretor interino, John Lipsky, disse que o Conselho de Administração da instituição se reúne a partir desta sexta-feira para discutir o assunto.

“O objetivo é escolher um diretor-gerente eficaz”, afirmou Lipsky, recusando-se a comentar sobre nomes que circulam para assumir o posto. Ele afirmou que o processo será aberto a todas as personalidades.

Em um comunicado publicado em seu site na internet, o FMI indica as qualificações requeridas para o cargo, ente elas uma “experiência eminente na concepção de políticas econômicas de alto nível” e “competências de dirigente e diplomacia necessárias para dirigir uma instituição mundial”.

O calendário das inscrições das candidaturas deve ser comunicado posteriormente. Os candidatos passarão também por um exame oral diante do Conselho de Administração, que até então escolhia o candidato por consenso. O método já é criticado pelo representante da Índia no Conselho, Arvind Virmani. Para ele, uma votação seria um "processo mais democrático”.
 

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