Europa/Economia

Euro completa 10 anos em grave crise de confiança

REUTERS/Kai Pfaffenbach

A moeda única europeia completou neste domingo, 1° de janeiro de 2012, dez anos de circulação. A euforia que marcou a chegada do euro na carteira dos europeus residentes nos 12 países fundadores da zona do euro, em 2002, foi substituída pelo pessimismo e a perda de confiança no futuro. A crise das dívidas nos países periféricos do bloco ameaça o conjunto dos 17 países que aderiram à moeda única europeia. 

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O aniversário de 10 anos do euro acontece num clima discreto, bem diferente do lançamento das primeiras cédulas e moedas no dia 1° de janeiro de 2002. Em vez das longas filas nos bancos e caixas eletrônicos, os residentes na zona do euro se perguntam se os líderes europeus saberão superar a mais grave crise ocorrida no continente desde a Segunda Guerra Mundial.

As cerimônias que marcaram na época a maior troca de moeda já realizada na história - 14,9 bilhões de cédulas e 52 bilhões de moedas introduzidas no mercado de um dia para o outro - foram reduzidas, dez anos depois, a uma mensagem de vídeo do presidente do Banco Central Europeu (BCE) e ao lançamento de uma moeda comemorativa de 2 euros, que começará a circular nesta segunda-feira. 

Em um vídeo no site da BCE, o presidente Mario Draghi cita alguns benefícios gerados pela moeda única. "O euro se tornou um símbolo de integração e cooperação na Europa", diz Draghi. "E apesar dos desafios atuais, o BCE continuará fiel à sua principal obrigação: manter a estabilidade dos preços", declara o economista italiano. 

Embora os europeus tenham a impressão de que os preços aumentaram muito nos últimos dez anos, nos cálculos oficiais a inflação permanece controlada em torno de 2% ao ano. O euro também serviu para incrementar as trocas comerciais entre os países adeptos da moeda única, trazendo lucros principalmente às pequenas e médias empresas alemãs voltadas para o setor de exportações.

Ainda temendo os efeitos da crise das dívidas em 2012, os líderes europeus ficaram discretos nos últimos dias. Ontem, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que em 2012 a França ainda poderá ser fortemente afetada pela crise na zona do euro. Segundo a chanceler alemã, Angela Merkel, o contexto econômico em 2012 pode ser mais difícil ainda do que no ano passado.

A Grécia, berço da civilização e onde a crise começou, vai enfrentar o quinto ano consecutivo de recessão. Apesar dos planos de austeridade adotados para sanear os déficits públicos, Irlanda, Portgal, Espanha e Itália ainda são motivo de preocupação.

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