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Espanha/Crise

Espanha aguarda relatórios do FMI e de auditoria antes de decidir sobre resgate

Espanhóis protestam nesta quarta-feira em frente ao Banco BBVA, em Bilbao, com uma faixa que diz "Eles nos deixaram na rua".
Espanhóis protestam nesta quarta-feira em frente ao Banco BBVA, em Bilbao, com uma faixa que diz "Eles nos deixaram na rua". REUTERS/Vincent West
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Em nova emissão de títulos públicos na manhã desta quinta-feira, o governo espanhol foi mais uma vez obrigado a pagar um rendimento de 6%, valor considerado muito elevado para os cofres públicos. Madri aguarda os resultados de um relatório do FMI e de uma auditoria bancária antes de decidir se pede oficialmente ajuda à União Europeia.

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Fina Iniguez, correspondente da RFI em Barcelona

Em um novo leilão da dívida pública, na manhã desta quinta-feira, a Espanha levantou 2,074 bilhões de euros pagando rendimento de 6,044% para vencimento em 10 anos, contra 5,743% na transação anterior. Os investidores continuam fazendo pressão sobre o Tesouro espanhol, cobrando juros "pesados" para os cofres públicos.

A notícia conhecida nesta quarta-feira de que Bankia, o terceiro maior banco espanhol em número de ativos, está sendo investigado por supostos delitos de fraude e corrupção, não ajudou a aumentar a confiança dos investidores.

A imprensa japonesa revela hoje que o governo espanhol foi convidado a participar da próxima reunião do G20, nos dias 18 e 19 de junho, no México. O G20 está preocupado com o agravamento da crise na Espanha e considera importante discutir soluções com o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy. 

Ontem, o ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos, insistiu em Bruxelas que a Espanha não tem nenhum plano imediato de pedir resgate bancário e que vai esperar o resultado das auditorias que Roland Berger (da Alemanha) e Oliver Wyman (dos Estados Unidos) devem entregar nos próximos dez ou quinze dias. De Guindos disse estar aguardando também o relatório do FMI da próxima segunda-feira que vai provar – na opinião do ministro- que o problema dos bancos espanhóis está limitado só a algumas entidades. Ele afirmou ter certeza de que o resultado da auditoria vai ser similar ao relatório do FMI.

Em meio à turbulência financeira e com a confiança dos mercados em baixa, a Comissão Europeia deu uma boa notícia à Espanha nesta quarta aumentando em um ano (até 2014) o prazo para o país reduzir o déficit atual de 8,9% a 3%. Em troca, o governo de Rajoy vai ter que apresentar antes do final de julho um “plano orçamentário convincente” para o próximo biênio, com mais reformas e medidas de consolidaçao fiscal, conforme anunciou o comissário Olli Rehn.

Já o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, pediu ao governo espanhol para fazer uma “avaliação realista” das necessidades dos bancos e da capacidade da Espanha captar fundos próprios. Só então, com essas cifras na mão, será possível decidir se a Espanha pedirá o resgate dos fundos europeus.

Se a Espanha finalmente admitir que não tem condições de sanear o setor financeiro sozinha, o presidente do BCE mostra-se favorável a que o país receba ajuda direta do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF), apesar da oposição alemã. Mas, para isso, esclareceu Draghi, vai ser necessário modificar os estatutos e essa ajuda implicaria numa série de condições não só para as entidades bancárias, mas também para o próprio governo.

O ministro francês da Economia, Pierre Moscovici, apóia a proposta de que os bancos espanhóis possam ser resgatados com fundos europeus. Já a chanceler alemã, Angela Merkel, apesar de rejeitar a ajuda direta aos bancos e defender que o dinheiro só pode ser facilitado aos Estados, estaria disposta a admitir uma ajuda especial à Espanha, com condições mais suaves que as impostas aos resgates de Grécia, Irlanda e Portugal, de acordo com informação publicada no jornal El País.

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