União Europeia/Bruxelas

Líderes da União Europeia entram em segundo dia de reuniões sem acordo sobre orçamento

Líderes da União Europeia conversam com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy em Bruxelas
Líderes da União Europeia conversam com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy em Bruxelas REUTERS/Francois Lenoir

A reunião para definir o futuro orçamento da UE (2014-2020) começou com três horas de atraso, em clima de batalha, por causa das profundas divisões entre os países do bloco. As chances das negociações fracassarem são grandes. Ontem, após uma hora de trabalho, os líderes europeus decidiram suspender as discussões para retomá-las hoje, após examinarem a proposta do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

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Quando deixou a mesa de negociações, a líder alemã Angela Merkel disse que os europeus fariam um pequeno avanço nessa cúpula, sem chegar entretanto a um acordo. O presidente francês, François Hollande, também descartou um acordo. Para Hollande, os europeus têm tempo para buscar um compromisso. "Esta reunião não é decisiva para o futuro da Europa", declarou o chefe de Estado francês.

Em debate estão os recursos comuns no valor de 1.075 trilhão de euros para todas as áreas do bloco, de agricultura à cooperação. A idéia de Van Rompuy é reduzir 80 bilhões de euros da proposta original elaborada pela Comissão Européia. Segundo Van Rompuy, estes cortes deveriam ser feitos sobretudo na Política Agrícola Comum e nos fundos estruturais de apoio ao desenvolvimento das regiões mais desfavorecidas.

Grandes contribuintes como a Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda, Suécia, Áustria e Dinamarca querem cortar a proposta original em no mínimo 100 bilhões de euros. A posição mais dura é a dos britânicos, cujo primeiro-ministro, David Cameron, iniciou as negociações com uma ameaça de veto de qualquer orçamento superior a 900 bilhões de euros, valor inferior ao atual nível de despesas do bloco.

A França reclama que suas exigências para minimizar os cortes dos subsídios agrícolas, dos quais é a maior beneficiária, foram apenas parcialmente ouvidas. A Polônia lidera um grupo formado pela Grécia, Espanha, Portugal e países do Leste Europeu que se opõe aos cortes para as economias mais fracas do bloco.

Chegar a um consenso sobre orçamento na União Européia sempre foi tarefa difícil. Mas agora, com a crise da dívida, a batalha ficou bem mais acirrada. Há tanta divergência que já não se descarta a possibilidade de uma nova reunião para se obter o acordo. Caso os líderes não consigam se acertar, o futuro orçamento deverá ter o mesmo valor do atual. Isto agradaria alguns países, mas deixaria o clima interno do bloco ainda pior.

Da correspondente da RFI em Bruxelas, Letícia Fonseca

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