Europa/Palestina

Europeus pedem retomada de diálogo de paz após decisão da ONU

Bandeira da Palestina  é agitada nas ruas deTel Aviv após votação na ONU.
Bandeira da Palestina é agitada nas ruas deTel Aviv após votação na ONU. Reuters

A maioria dos países europeus votou a favor da resolução da ONU que concedeu à Palestina o status de Estado observador não-membro das Nações Unidas. O único voto contrário foi da República Tcheca. Alemanha e Grã-Bretanha se abstiveram. Após a divulgação do resultado da votação na Assembleia Geral da ONU, as primeiras reações europeias sugerem que deve haver rapidez na retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos. 

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A Grã-Bretanha, que se absteve da votação da resolução da ONU sobre o novo status da Palestina, fez um apelo para a reabertura das negociações de paz entre palestinos e israelenses. “Nós respeitamos a iniciativa do presidente Mahmoud Abbas e o resultado da votação”, declarou nesta sexta-feira o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague.

"Nós vamos redobrar os esforços para retomar o processo de paz e vamos continuar a apoiar o presidente Abbas, a Autoridade Palestina, e uma solução com dois Estados”, acrescentou. Hague também pediu à Israel para não reagir de maneira a emperrar as negociações.

A França votou a favor da resolução e o presidente François Hollande disse que "a escolha foi coerente com o objetivo de dois Estados vivendo em paz e em segurança, definido desde 1947". O chefe de Estado francês também defendeu a retomada de negociações de paz “sem pré-requisitos e o mais rapidamente possível. O diálogo direto é a única alternativa para encontrar uma solução para este conflito. A França está pronta para contribuir, como amiga de Israel e da Palestina”, acrescentou.

O Vaticano comemorou o voto da ONU mas julgou que a resolução ainda não é “suficiente para resolver os problemas da região”.

Como era de se esperar, Estados Unidos e Israel consideraram a decisão infeliz e inoportuna. O resultado da votação pode ser visto, no entanto, como uma derrota diplomática dos governos israelense e americano pelo pequeno número de aliados que eles conseguiram agregar, apesar da intensa campanha pela rejeição do projeto.

“A resolução infeliz e contraproducente de hoje acrescenta mais obstáculos para o caminho da paz e por isso os Estados Unidos votaram contra”, declarou Susan Rice, embaixadora americana nas Nações Unidas.

O Canadá, um dos nove países a ter votado contra a resolução, expressou seu descontentamento com o resultado. Segundo o ministro das Relações Exteriores, John Baird, a resolução vai “abalar as bases de um processo, ainda que incompleto, mas que continua sendo a única oportunidade realista para ver dois Estados prósperos vivendo em paz, um ao lado do outro”.

A resolução que confirmou a entidade palestina como um Estado observador não-membro da ONU recebeu 138 votos a favor, 9 votos contra e 41 abstenções.

O movimento islâmico palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza e apoiou oficialmente a iniciativa de Mahmoud Abbas, qualificou o resultado da votação como uma “vitória”. Os líderes do Hamas autorizaram os simpatizantes do Fatah, o movimento do presidente Abbas, a festejar a decisão em Gaza.

“Embaixadora palestina”

A representante da Autoridade Palestina na União Europeia, Bélgica e Luxemburgo, Leïla Shahid, anunciou que vai se tornar “embaixadora da Palestina”, após a decisão da ONU. Até então, ela tinha o título de "alta representante” da Palestina.

“A Bélgica, através de seu ministro das Relações Exteriores, Didier Reynders, acaba de me conceder o título de embaixadora, chefe da missão de uma delegação palestina que foi elevada ao status de missão palestina”, declarou Shahid à rádio pública belga RTBF.

A chancelaria belga informou nesta sexta-feira que ainda aguarda a resposta oficial do presidente Abbas antes de elevar oficialmente o status diplomático da representação palestina em Bruxelas. A Bélgica votou a favor da resolução na ONU.

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