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Rússia/Putin

Putin diz que "não há sistema autoritário" na Rússia

Jornalistas na conferência de imprensa do presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta quinta-feira.
Jornalistas na conferência de imprensa do presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta quinta-feira. REUTERS/Maxim Shemetov
Texto por: RFI
4 min

Não há "um sistema autoritário" na Rússia, afirmou nesta quinta-feira o presidente Vladimir Putin, antes de criticar duramente os Estados Unidos e apoiar a lei adotada pelo parlamento russo que proíbe a adoção de crianças russas por cidadãos americanos.

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Vladimir Putin disse que a melhor prova de que o sistema russo não é autoritário é sua decisão de não se candidatar novamente após dois mandatos. "Se eu tivesse considerado que o caminho do autoritarismo era melhor, eu teria mudado a Constituição, era fácil", disse ele durante sua primeira grande entrevista coletiva desde que voltou ao Kremlin este ano para um terceiro mandato.

Putin havia deixado seu cargo de presidente em 2008, após dois mandatos de quatro anos. Ele havia cedido o lugar a Dimitri Medvedev, que o nomeou primeiro-ministro. Em maio Putin foi eleito novamente presidente da Rússia.

Durante todo o ano, ele enfrentou um movimento de contestação sem precedentes. A oposição o acusa de ter limitado de maneira considerável as liberdades públicas. Dezenas de opositores estão presos e alguns deles correm o risco de serem sentenciados a dez anos em um campo de trabalhos forçados.

Estados Unidos

Putin disse lamentar a lei aprovada pelo presidente Barack Obama na semana passada, chamada lei Magnitsky, que recusa o visto americano aos russos acusados de violações dos direitos humanos e congela os ativos deles nos Estados Unidos. "É muito ruim. Isso naturalmente envenena nossas relações", disse ele.

Os americanos "mantêm pessoas na prisão há anos sem nem mesmo apresentar uma acusação. É inconcebível! Eles legalizaram o uso da tortura. Imagine se tivéssemos feito isso aqui. Há quanto tempo prometeram o fechamento de Guantánamo?", acusou o presidente russo.

Putin e Obama disseram que desejavam relançar as relações entre Washington e Moscou, mas a questão dos direitos humanos poderia prejudicar esse esforço.

Em represália à lei Magnitsky, o parlamento russo adotou nesta quarta-feira uma lei proibindo a adoção de órfãos russos pelos americanos. "Trata-se de uma resposta emocional mas apropriada", declarou Vladimir Putin.

Mesmo apoiando o projeto de lei adotado pelo parlamento russo, ele mostrou a preocupação de limitar o litígio com Barack Obama, esperado na Rússia no início de 2013.

Economia

No campo econômico, Vladimir Putin anunciou que prevê um crescimento de 3,7% para este ano, o que ele considera um "bom resultado" em um contexto econômico pouco dinâmico.

A recessão na zona do euro freou o crescimento russo e a redução da colheita afetou a economia no segundo semestre, empurrando a inflação acima de 6%, informou o presidente russo.

Enfatizando um baixo índice de desemprego (5,3% - 5,4%), "um dos melhores entre as economias desenvolvidas", o presidente russo exprimiu no entanto receios relativos à desaceleração do crescimento da produção industrial.

Polêmica

Vladimir Putin declarou estar pronto a dar um passaporte russo para Gérard Depardieu, se ele quiser. O ator anunciou no último final de semana que renuncia a seu passaporte francês após uma polêmica nacional sobre seu exílio fiscal na Bélgica.

"Putin já me enviou um passaporte", teria declarado o ator, segundo amigos citados na terça-feira pelo site do jornal Le Monde.

Vladimir Putin ignorou as questões sobre seu estado de saúde, dizendo que esse tipo de pergunta beneficia os interesses de seus opositores. Depois que foi visto mancando na cúpula Ásia-Pacífico de setembro e após a publicação de informações dizendo que ele sofre de problemas de coluna, os boatos sobre a saúde do presidente não param de circular em Moscou.

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