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Chipre/Crise

Acordo para Chipre salva bancos com dinheiro de correntistas

Chipre e Eurogrupo chegam a acordo. Da esquerda para direita: a diretora do FMI, Christine Lagarde,o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem e Olli Rehn, comissário europeu para os Assuntos Econômicos.
Chipre e Eurogrupo chegam a acordo. Da esquerda para direita: a diretora do FMI, Christine Lagarde,o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem e Olli Rehn, comissário europeu para os Assuntos Econômicos. REUTERS/Sebastien Pirlet
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Na madrugada desta segunda-feira, o Chipre, os países da zona do euro e o FMI concluíram as negociações sobre o plano de resgate da economia do país. O acordo vai permitir ao Chipre receber uma ajuda de 10 bilhões de euros, mas a contrapartida vai ser dura para os cipriotas. Pelas medidas, os depósitos acima de 100 mil euros (R$ 260 mil) que estão no Banco do Chipre, o maior do país, sofrerão perdas importantes, mas que ainda não foram calculadas.

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Letícia Fonseca, correspondente da RFI, em Bruxelas,

Os correntistas cipriotas e estrangeiros com saldo superior a 100 mil euros em suas contas bancárias irão ajudar no processo de reestruturação dos principais bancos do Chipre e deverão perder 40% de seus ativos. A maioria das contas bancárias altas pertence a oligarcas russos, atraídos pelos baixos impostos e cidadania que o país oferecia.

O segundo maior banco do país, o Banco Laiki, deve fechar, e seus correntistas com mais de 100 mil euros também sofrerão perdas. As contas bancárias com depósitos inferiores a 100 mil euros serão transferidas para o Banco do Chipre. A "contribuição" dos correntistas, acionistas e detentores da dívida do Laiki vai representar cerca de 4 bilhões de euros do total dos 7 bilhões que os bancos cipriotas terão que gerar para assegurar o processo de falência.

Estas foram as principais concessões feitas por Chipre em troca do pacote de ajuda de 10 bilhões de euros.Para que a primeira parcela do pacote seja liberada em maio, o plano aprovado precisa do sinal verde dos Parlamentos de vários países da zona do euro, ainda no mês de abril.

Para a população, o suspense continua. Há dez dias as agências bancárias do país estão fechadas. Elas deveriam reabrir nesta terça-feira, mas por causa das medidas anunciadas nessa madrugada, isso não será possível. Nos caixas automáticos, os depósitos estão limitados a 120 euros (313 reais) por dia no Banco do Chipre, e 100 euros (260 reais) no Laiki. As limitações foram definidas para evitar uma fuga maciça de capitais do país.

Risco de fracasso

As negociações foram duras e bastante tensas, mas também decisivas para o futuro do Chipre. A reunião dos ministros das Finanças da zona do euro começou com quatro horas de atraso e entrou madrugada adentro.

Porém, antes deste encontro, aconteceram negociações paralelas entre o presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, o seu ministro das Finanças, Michalis Sarris, e a troika, formada pelo Banco Central Europeu, Comissão Européia e Fundo Monetário Internacional, além dos presidentes do Conselho Europeu e Eurogrupo.

A certo ponto a pressão ficou tão forte que o presidente cipriota, que assumiu o cargo no mês passado, chegou até a perguntar se a intenção dos credores internacionais era forçar a sua demissão. Anastasiades acusou os credores, principalmente o FMI, de estarem constantemente subindo o grau das exigências. Vários diplomatas disseram que neste momento as negociações correram o sério risco de fracassar.

 

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