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Grã-Bretanha

Thatcherismo marca a economia britânica até hoje

Fotomontagem do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e da ex-premiê Margaret Thatcher.
Fotomontagem do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e da ex-premiê Margaret Thatcher. RFI/ Reuters
3 min

As reformas implementadas pela ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, morta nesta segunda-feira vítima de derrame, aos 87 anos, marcam as estratégias de seus sucessores até hoje. O primeiro-ministro conservador David Cameron não escapa à regra, nem o ex-premiê trabalhista Tony Blair.

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Desde que chegou ao poder, Cameron aplica uma política econômica de rigor draconiano a ponto de a mídia britânica questionar se ele não é um político liberal ainda mais radical do que Margaret Thatcher. Seu predecessor, Tony Blair, que esteve no governo de 1997 a 2007, também foi classificado como um herdeiro da Dama de Ferro na medida em que ele endossou as grandes orientações da "revolução conservadora", como a desregulamentação do mercado financeiro e a privatização do setor público.

Defensor da renovação no Partido Trabalhista, movimento que ficou conhecido como New Labour, Blair deslocou a ação do partido para a centro-direita, o que lhe valeu o apelido de "Tory Blair", em referência aos "tories", membros do rival Partido Conservador britânico. Sua tentativa de se distinguir de Thatcher foi visível nos setores da saúde e educação, recentemente decapitados pelos cortes orçamentários de Cameron.

Tony Travers, professor da London School of Economics, declarou à agência Reuters que aprovando ou não a ação de Margaret Thatcher, ela mudou o rumo da economia britânica para sempre. "Ela também mudou a forma como os britânicos pensam em dinheiro, no capitalismo e na atividade empresarial, e Cameron e Blair são herdeiros desse sistema", afirma o professor.

Alguns analistas estimam que nesse momento da morte da Dama de Ferro, a sociedade britânica parece mais "thatcheriana" do que nunca. Até órgãos de mídia populares condenam a generosidade dos programas sociais do governo. "Daqui para frente somos todos filhos de Thatcher", escreveu o jornal Daily Telegraph, próximo dos conservadores. Para o The Guardian, jornal de centro-esquerda, a Grã-Bretanha está mais liberal do que nos anos 80.

Talvez isso explique porque os cortes orçamentários do governo Cameron, mais drásticos que nos sucessivos governos Thatcher, estejam sendo aceitos com resignação, um cenário que em outros países da Europa poderia fazer o circo pegar fogo. Cameron elogia o trabalho feito por Thatcher, mas procura se diferenciar de sua inspiradora, afirmando personificar um conservadorismo "atencioso". No fundo, a coalizão no poder, formada pelos conservadores e os centristas do Partido Liberal Democrata, tem um mesmo ideal para o país: criar uma "Big Society", transferindo o máximo de competências do Estado para a sociedade civil, que por sua vez deve assumir seu destino amparada por um exército de voluntários. 

Cameron promete relançar o processo de privatizações e rever o sistema de financiamento das universidades. No plano social, seu governo tem feito reformas na legislação trabalhista de maior impacto que a temida ex-primeira-ministra. Jovem, considerado moderno por alguns, Cameron é no mínimo tão ambicioso quanto foi a Dama de Ferro.

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