Rússia/Sotchi

Putin permite protestos em "zonas especiais" durante Jogos de Inverno

O presidente russo, Vladimir Putin (à direita, de casaco vermelho), visitou instalações que serão usadas durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Sotchi nesta sexta-feira, 3 de janeiro de 2014.
O presidente russo, Vladimir Putin (à direita, de casaco vermelho), visitou instalações que serão usadas durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Sotchi nesta sexta-feira, 3 de janeiro de 2014. Reuters

Sob pressão do Comitê Olímpico Internacional, o presidente russo Vladimir Putin recuou e autorizou neste sábado, 4 de janeiro de 2014, a realização de manifestações durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Sotchi, mas especificou que os protestos deverão ficar restritos a uma "zona especial". Um decreto permite manifestações e passeatas, mas os locais e percursos devem ser fixados junto com as autoridades da cidade à beira do mar Negro.

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O decreto modificado, publicado no site do Kremlin, também permite que os funcionários públicos limitem o número de participantes mas manifestações durante os Jogos, que acontecem de 7 a 23 de fevereiro.

Putin ordenou aos organizadores e às autoridades regionais que definam uma zona especial em Sotchi onde os manifestantes poderão se reunir "livremente" e "protestar, caso queiram", declarou seu porta-voz Dimitri Peskov.

O serviço secreto russo redigiu a emenda para se conformar à Carta Olímpica e ao mesmo tempo permitir que as autoridades "administrem de maneira eficaz as potenciais ações de protesto".

O presidente russo está atualmente em Sotchi, onde inspeciona as instalações preparadas para os Jogos Olímpicos de Inverno.

Em um decreto assinado em agosto, Putin havia proibido qualquer reunião ou manifestação não ligada aos Jogos. Essa medida draconiana deveria vigorar do dia 7 de janeiro até 21 de março, após o fim dos Jogos Paralímpicos (de 7 a 16 e março), que também acontecem em Sotchi.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, havia anunciado em dezembro ter obtido das autoridades russas que uma zona especial fosse reservada aos manifestantes em Sotchi durante os jogos.

As autoridades de outras cidades russas, incluindo Moscou, frequentemente obrigam os organizadores de manifestações políticas a deslocarem esses eventos para fora das áreas centrais e a militar o número de participantes. Mas a limitação dos protestos a apenas um local específico vai além das restrições habituais.

O presidente americano, Barack Obama, e os principais líderes europeus, incluindo o primeiro-ministro britânico, David Cameron, já anunciaram que não estarão presentes na cerimônia de abertura, devido sobretudo à recente lei que proíbe a "propaganda homossexual" na Rússia.

O país prevê medidas de segurança extremamente severas durante os Jogos Olímpicos, que incluem até oa vigilância por drones, a restrição do acesso à cidade e o monitoramente das conversas telefônicas dos atletas e dos jornalistas credenciados.

O temor de ataques por parte de militantes islâmicos foi reforçado por dois atentados-suicida no final de dezembro em Volgograd (sudoeste), a 700 quilômetros de Sotchi, atribuídos a kamikazes.

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