Ucrânia/Crise política

Exército ucraniano e rebeldes combatem pelo controle do aeroporto de Donetsk

O magnata Petro Poroshenko, novo presidente ucraniano, durante coletiva em Kiev, nesta segunda-feira (26).
O magnata Petro Poroshenko, novo presidente ucraniano, durante coletiva em Kiev, nesta segunda-feira (26). REUTERS/David Mdzinarishvili

O exército ucraniano lançou na tarde desta segunda-feira (26) uma ofensiva para retomar o controle do aeroporto de Donetsk, um ponto estratégico de acesso ao leste separatista da Ucrânia. O presidente eleito, Petro Porochenko, anunciou que continua a operação militar contra os rebeldes pró-russos para evitar que eles transformem o leste do país em uma "Somália" e que não negocia com "terroristas".

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O exército ucraniano enviou aviões de combate e helicópteros com paraquedistas para o que chama de "operação antiterrorista" no aeroporto de Donetsk. O local havia sido tomado durante a madrugada por dezenas de homens armados, que se apresentam como representantes da "República popular de Donetsk".

Não houve resistência ou violência: os rebeldes ordenaram aos soldados ucranianos que vigiavam o aeroporto que partissem. O local foi esvaziado e todos os voos foram anulados. Durante a manhã, uma centena de homens armados chegou para reforçar a ocupação.

Algumas horas após a vitória do magnata Petro Porochenko na eleição presidencial e o anúncio de que ele visitaria a região do Donbass, que engloba Donetsk e Lugansk, os separatistas lançaram assim uma clara mensagem de desafio. Eles consideram Porochenko "um presidente ilegítimo", pedem a retirada dos soldados ucranianos e instauraram a lei marcial na região. O único medidador que aceitam é a Rússia.

Porochenko anunciou nesta segunda-feira que continua a operação militar contra os rebeldes pró-russos. O bilionário confirmou que pretende conduzir uma política de integração à Europa. Ele também disse que deseja manter no cargo o primeiro-ministro interino, Arseni Iatseniuk.

Normas democráticas

A eleição presidencial na Ucrânia foi realizada de acordo com as normas democráticas, segundo os observadores internacionais que acompanharam o pleito. Em um comunicado, a OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) afirmou que a "qualidade extraordinária da eleição oferece ao novo presidente a legitimidade para estabelecer imediatamente um diálogo com todos os cidadãos do leste, para restabelecer a confiança e para descentralizar os poderes do Estado a fim de preservar a unidade do país, respeitando a diversidade da sociedade ucraniana".

A Rússia, que não reconhecia a legitimidade das autoridades de transição desde a queda do presidente Viktor Ianukovitch no final de fevereiro, se declarou nesta segunda-feira disposta a dialogar com Petro Porochenko, que venceu no primeiro turno. Por sua vez, Ianukovitch disse "respeitar" a escolha dos ucranianos.

A União Europeia exprimiu seu desejo de trabalhar com o presidente eleito da Ucrânia. "O sucesso dessa eleição constitui uma etapa importante a fim de diminuir a tensão e restaurar a segurança para todos os ucranianos", avaliam o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, em um comunicado comum. Eles também comemoraram a declaração da Rússia dizendo-se disposta a trabalhar com o novo governo da Ucrânia.

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