Ucrânia/Conflito

Tropas ucranianas mantêm ofensiva e diplomatas buscam solução

Posto de Dovjanskiï, ocupado pelos separatistas pró-russos na região de Lugansk (leste da Ucrânia).
Posto de Dovjanskiï, ocupado pelos separatistas pró-russos na região de Lugansk (leste da Ucrânia). REUTERS/Gleb Garanich

As forças armadas e a guarda nacional da Ucrânia continuam nesta quarta-feira (2) sua ofensiva contra os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, enquanto os chanceleres alemão, francês, russo e ucraniano tentam negociar uma solução em Berlim. Kiev anunciou a prisão de um importante líder rebelde.

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Um míssil lançado pelos rebeldes atingiu nesta quarta-feira um avião do governo, mas o piloto conseguiu manter o controle do aparelho, de acordo com um porta-voz do exército ucraniano. Um agente de segurança da fronteira foi morto no início da manhã com um tiro de morteiro. Até a última segunda-feira (30), 191 integrantes dos serviços de segurança já haviam sido mortos, incluindo 145 soldados, segundo o Conselho Nacional de Segurança e de Defesa da Ucrânia. Centenas de civis e rebeldes também foram assassinados.

Os serviços especiais da Ucrânia anunciaram nesta quarta-feira a prisão de um dos líderes separatistas no momento em que ele estava negociando a compra de metralhadoras e outras armas em um café da região de Zaporijjia, no sudeste do país.

Volodymyr Kolosniuk, que se autoproclamou prefeito de Gorlokova, um dos redutos dos separatistas na região de Donetsk, era responsável pelo fornecimento de armas para os combatentes da zona. Ele deve ser processado por "criação de organização terrorista". Kolosniuk é suspeito de ter participado de ataques contra as forças armadas ucranianas mobilizadas na "operação antiterrorista" em andamento no leste do país.

O ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, afirmou que quer abrir nesta quarta ou quinta-feira um "corredor humanitário" para permitir a saída dos civis das áreas de combate. Segundo ele, esse corredor deve ir de Kramatorsk, na região de Donetsk, a Barvenkovo, na região vizinha de Kharkiv.

Saída diplomática

Os ministros das Relações Exteriores da Rússia, da Ucrânia, da França e da Alemanha se reúnem nesta quarta-feira em Berlim para tentar encontrar maneiras de acalmar a situação. Um eventual cessar-fogo, a retomada das negociações entre Kiev e os rebeldes e o papel da OSCE (Organização para a segurança e a cooperação na Europa) estarão no centro das discussões, segundo fontes diplomáticas francesas.

Na terça-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o presidente ucraniano, Petro Porochenko, era inteiramente responsável pela situação atual "de um ponto de vista militar mas também político". Putin disse que a Rússia apenas defendeu seus interesses geopolíticos na crise ucraniana. Se não tivesse feito isso, "A Otan estaria hoje instalada em Sebastopol", um posto da Crimeia onde historicamente sempre esteve baseada a flotilha russa, apontou o presidente da Rússia.

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