Reino Unido/Imprensa

Ex-assessor de Cameron é condenado a 18 meses de prisão em caso de escutas

Andy Coulson, ex-editor do tabloide "News of The World", extinto após o escândalo de escutas telefônicas.
Andy Coulson, ex-editor do tabloide "News of The World", extinto após o escândalo de escutas telefônicas. REUTERS/Neil Hall

Andy Coulson, ex-assessor do primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi condenado nesta sexta-feira (4) a 18 meses de prisão no caso das escutas telefônicas ilegais realizadas pelo tabloide britânico News of The World (NTW), que pertencia ao magnata Rupert Murdoch. Coulson ocupava o cargo de chefe redação do jornal, que foi fechado por causa do escândalo.

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No final de junho, após oito meses de audiências no Tribunal de Londres, Coulson havia sido declarado culpado pelas escutas. "Ele sabia da espionagem e não fez nada para pôr fim a essa prática", declarou o juiz John Saunders, ao justificar a sentença. Coulson, de 46 anos, se manteve impassível durante a leitura do veredicto.

Outros dois colaboradores do jornal, o ex-editor Greg Miskiw e o repórter especial Neville Thurlbeck, foram condenados a seis meses de prisão. O jornalista James Weatherup e o detetive particular Glenn Mulcaire foram condenados, respectivamente, a quatro e seis meses de prisão com direito a liberdade condicional.

"Lamentável da parte de jornalistas", diz juiz

Os quatro réus do processo tinham se declarado culpados pelas escutas telefônicas. O juiz lamentou que "todos os acusados, salvo o detetive Mulcaire, são jornalistas profissionalmente reconhecidos que não precisavam ter agido dessa maneira para ter sucesso".

Na semana passada, o premiê David Cameron desculpou-se publicamente por ter empregado Coulson. Ele foi diretor de comunicação do primeiro-ministro de 2007 até ser forçado a renunciar ao cargo, em 2011. Ao comentar o caso no canal de TV Sky News, na última sexta-feira, Cameron disse: "A coisa certa é fazer justiça e ninguém está acima da lei", declarou o premiê.

A outra principal acusada no caso, Rebekah Brooks, ex-chefe da divisão britânica de jornais de Murdoch, que dirigia o tabloide antes de Coulson e ainda era amante dele, foi absolvida no final de junho.

Fofocas

O júri ouviu detalhes sobre a maneira de trabalho no jornal, conhecido pela publicação de escândalos e fofocas. O julgamento em si também atraiu os holofotes da imprensa, depois da descoberta de que os dois principais acusados tiveram um caso extraconjugal quando trabalhavam no jornal. O juiz John Saunders pediu que os jurados "excluíssem de suas cabeças qualquer coisa que tivessem ouvido fora do tribunal".

Murdoch era dono do NTW, um tabloide de 168 anos extinto pelo magnata da mídia em meio a uma onda de indignação popular sobre revelações de que jornalistas grampearam a caixa postal do telefone celular de uma jovem assassinada. As investigações apontaram que o caso da menina era apenas a ponta do iceberg: o tabloide realizou escutas das comunicações de dezenas de políticos e celebridades, como o ator Jude Law, o príncipe William e a esposa, Kade Middleton.

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