Ucrânia/Crise diplomática

Negociações sobre crise na Ucrânia serão retomadas no sábado

Soldados com a bandeira ucraniana em um posto de controle próximo de Slaviansk
Soldados com a bandeira ucraniana em um posto de controle próximo de Slaviansk REUTERS/Andrew Kravchenko/Pool

Pressionados pelas potências ocidentais, Kiev, Moscou e rebeldes pró-russos devem lançar novas negociações neste sábado (5) para tentar encerrar os combates no leste da Ucrânia. A proposta de que o "grupo de contato" sobre a crise se encontrasse no fim de semana partiu do presidente ucraniano Petro Porochenko, depois de um pedido conjunto do presidente francês François Hollande e da chanceler aelmã Angela Merkel.

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Em uma conversa telefônica com a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, Porochenko teria sugerido horário e local para continuar a reunião, que foi interrompida na quarta-feira, em Berlim. Mas o comunicado emitido hoje (4) pela presidência ucraniana não dá mais detalhes sobre o novo encontro, que reunirá Ucrânia, Rússia e a OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa), além de representantes dos rebeldes.

Porochenko apresentou a Ashton a situação na Bacia do Donets (no extremo leste do país) e explicou os motivos que o levaram a não renovar o cessar-fogo, imposto unilateralmente por Kiev e desrespeitado pelos insurgentes. Ashton reiterou o apoio dos 28 países da União Europeia ao governo ucraniano.

Diplomacia em torno da reunião

Na sexta-feira (4), circulou uma série de informações desencontradas sobre a reunião do grupo de contato. De acordo com a OSCE, ela poderia acontecer em Donetsk, capital de uma das duas regiões separatistas, e contaria com participação da diplomata suíça Heidi Tagliavini.

Mas os representantes de Kiev alegaram razões de segurança para descartar essa possibilidade. O encontro também não poderia acontecer em um país da Europa, dadas as sanções impostas contra separatistas. Por isso, o "vice-primeiro ministro" da "República Popular de Donetsk", Andrei Purguin, levantou a possibilidade de a reunião acontecer em Minsk, na Bielorrússia.

A crise ucraniana, que a princípio opunha os russófonos do leste do país às autoridades de Kiev, ressuscitou a antiga rivalidade entre ocidente e oriente, que estava adormecida desde a Guerra Fria. Agora, indiretamente envolvidos, americanos e europeus de um lado e russos do outro, pressionam seus respectivos aliados ucranianos para sair do atual impasse diplomático.

Condições e impasse

Assim, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, declarou na quinta-feira que o ocidente deveria "convencer Kiev" a negociar um cessar-fogo bilateral e durável na região. Foi o que tentaram fazer hoje o presidente francês François Hollande e a chanceler alemã Angela Merkel.

De acordo com comunicado emitido pelo Palácio do Eliseu, "eles pediram a aplicação do acordo alcançado no dia 2 de julho em Berlim, entre os ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha, Ucrânia e Rússia, para tentar obter um cessar-fogo durável".

Mas, tanto para Kiev quanto para os ocidentais, isso só seria possível se o Kremlin "convencesse os rebeldes" a aceitar suas principais condições: a retomada do controle ucraniano da fronteira com a Rússia e a libertação de todos os prisioneiros.

Russos infiltrados

Kiev exige o controle da fronteira porque acusa a Rússia de treinar soldados em seu território e enviá-los para combater ao lado dos insurgentes. Hoje mesmo, o serviço de segurança ucraniano (SBU) acusou um general russo de treinar combatentes rebeldes na Rússia.

O chefe do SBU, Valentin Nalivaitchenko afirmou que foi iniciada uma "investigação contra o general Traskin, do GRU (serviço russo de inteligência), que organiza o recrutamento de terroristas em Rostov do Don", cidade do sul da Rússia, próxima da fronteira com a Ucrânia. "Lá, acontecem recrutamentos e treinamentos depois dos quais as pessoas partem para a Ucrânia".

Retomada pró-Ucrânia

No front, as operações militares ucranianas continuam e informações esporádicas mostram um avanço das forças pró-Kiev. O "ministro da Defesa" de Donetsk, Igor Strelkov, lançou um apelo na quinta-feira à Rússia pela televisão: "Se a Rússia não intervir com suas forças armadas, o povo russo que vive aqui será destruído".

De acordo com ele, "isso acontecerá em uma semana, no máximo duas. Slaviansk será destruída em primeiro lugar, com toda a sua população", declarou o homem, que de acordo com as forças ucranianas de segurança, também é um coronel da inteligência russa.

Na sexta-feira, o secretário do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa, Andrii Parubii afirmou que "150 combatentes rebeldes foram eliminados e seis postos fortificados, destruídos" nos combates pelo controle de Mykolayvka, uma cidade estratégica situada perto de Slaviansk.

Ajuda financeira

Na terça-feira, representantes da União Europeia e doadores externos participam de uma reunião a Bruxelas para preparar uma conferência internacional de doadores, que deve acontecer até o fim do ano. A ideia do encontro, presidido pelo comissário europeu para a política de vizinhança, Stefan Fule, é definir as prioridades para a Ucrânia a curto e médio prazos e coordenar o apoio financeiro a Kiev.

De acordo com o porta-voz da UE Alejandro Ulzurrun de Asanza, "a Ucrânia deve fazer as reformas impostas pelo FMI e a UE em troca da ajuda prometida, mas é importante que ela receba também apoio e solidarieedade".

No dia 27 de junho, Kiev assinou um acordo de associação com o bloco e, a partir daí, foi estabelecido um plano de ajuda massivo, por meio de empréstimos e doações que ultrapassam os 11 bilhões de euros. Paralelamente, o FMI aprovou um plano de resgate da economia ucraniana de cerca de 12,3 bilhões de euros.
 

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