Ucrânia/Conflito

Civis ucranianos abandonam reduto rebelde por medo de ataque do exército

Passageiros caminham ao longo de plataforma na estação ferroviária de Donetsk; muitos habitantes estão partindo da cidade neste final de semana por medo de um ataque do exército.
Passageiros caminham ao longo de plataforma na estação ferroviária de Donetsk; muitos habitantes estão partindo da cidade neste final de semana por medo de um ataque do exército. REUTERS/Maxim Zmeyev

Muitos habitantes de Donetsk, um dos principais redutos dos separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, estão deixando a cidade neste final de semana. Eles temem um ataque do exército ucraniano, depois que os recentes confrontos deixaram 30 soldados mortos em 48 horas.

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As tropas de Kiev que estão cercando Donetsk avançaram nesta semana para se posicionar a cerca de 20 km da cidade. Mas as autoridades ucranianas, incluindo o presidente, Petro Porochenko, deram a entender que excluem um ataque frontal contra Donetsk e contra a outra grande cidade rebelde, Lugansk, o que certamente provocaria um grande número de vítimas entre os civis.

No entanto, muitos habitantes de Donetsk preferiram não correr riscos e estão abandonando a cidade enquanto os trens ainda funcionam. Segundo o "primeiro-ministro" da autoproclamada república popular de Donetsk, Alexandre Borodaï, mais de 70 mil dos cerca de 900 mil habitantes da cidade já partiram. Na estação ferroviária as partidas acontecem em uma atmosfera de calma, mas as filas para comprar passagens são longas.

Confrontos

Enquanto isso, os confrontos entre o exército e os separatistas continuam, inclusive no aeroporto de Donetsk, controlado pelas tropas fieis a Kiev e atacado pelos rebeles. Apesar de limitados, os combates provocam perdas importantes, como os 19 soldados ucranianos mortos na manhã de sexta-feira (11) por foguetes lançados pelos rebeldes na região de Lugansk.

Com outros quatro homens mortos em outros pontos da área de conflito entre quinta e sexta-feira e sete mortes anunciadas neste sábado, o balanço subiu para 30 mortos em 48 horas, um dos maiores desde o início do conflito, há três meses. O recorde permanece com os 49 mortos a bordo de um avião abatido pelos rebeldes no dia 14 de junho.

Vingança

Na sexta-feira, o presidente ucraniano, Petro Porochenko, prometeu vingar cada soldado morto com "dezenas e centenas" de rebeldes assassinados. No mesmo dia, ele examinou com o prefeito de Donetsk, Oleksandr Lukiantchenko, "medidas que permitirão evitar o derramamento de sangue e o recurso à aviação e à artilharia pesada na cidade, para que não haja vítimas e destruição de infraestrutura vital", segundo as autoridades municipais.

Apesar dos numerosos contatos entre ocidentais, ucranianos e russos, a diplomacia não tem conseguido oferecer uma alternativa pacífica para solucionar o conflito. Kiev resiste às pressões europeias e russas e se recusa a conversar sobre um cessar-fogo enquanto os rebeldes não aceitarem suas condições, ou seja, o controle da fronteira com a Rússia e a libertação de todos os reféns.

Sanções

A União Europeia impôs neste sábado uma série de sanções a um dos líderes dos separatistas ucranianos, Alexandre Borodaï, e a dez outras pessoas. As sanções incluem proibição de vistos e congelamento de bens. Segundo Bruxelas, o líder rebelde é considerado "responsável pelas atividades 'governamentais' dos separatistas do pretenso governo da república popular de Donetsk".

Alexandre Borodaï, que possui nacionalidade russa, explicou em maio, durante uma entrevista coletiva, que teve um papel de conselheiro no momento em que Moscou anexou a península da Crimeia, em março, antes de ir para o leste da Ucrânia a fim de ajudar os separatistas pró-russos da região. Ele garante não ter nenhuma relação com o Kremlin.

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