Caixas-pretas/MH17

Rebeldes pró-russos dizem ter encontrado caixas-pretas do MH17

Reprodução de vídeo mostra elemento que poderia ser uma das caixas-pretas do voo MH17 da Malaysia Airlines.
Reprodução de vídeo mostra elemento que poderia ser uma das caixas-pretas do voo MH17 da Malaysia Airlines. REUTERS/Reuters TV

Os separatistas pró-russos do leste da Ucrânia anunciaram neste domingo (20) que podem ter encontrado as caixas-pretas do voo MH17 da Malaysia Airlines, provavelmente abatido por um míssil na última quinta-feira. Um dos líderes da rebelião informou que o material foi enviado à cidade ucraniana de Donetsk, bastião do movimento pró-Rússia, para que especialistas internacionais possam analisá-lo.

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Um dos chefes dos separatistas, Alexandre Borodai, declarou que os rebeldes estão dispostos a repassar o que acreditam ser as caixas-pretas do avião malaio aos especialistas internacionais. Ele explicou que a rebelião não conta com integrantes que possam estudar o material e que não confiam nos peritos ucranianos. “Os elementos estão em minhas mãos em Donetsk”, disse.

Mais cedo, os rebeldes haviam insinuado que tinham intenção de enviar o material para Moscou para ser decriptado por especialistas russos.

Uma das caixas-pretas contém gravações de conversas da tripulação e outra conta com todas as informações técnicas do voo. No entanto, é pouco provável que o material possa determinar a origem do míssil que provavelmente abateu a aeronave quando sobrevoava Grabove, no leste da Ucrânia, matando todas as 298 pessoas a bordo.

Responsáveis

Os Estados Unidos acusam os rebeldes pró-russos de serem os responsáveis pelo lançamento do míssil que derrubou o avião, tese que é negada pelo governo russo. Washington afirma que Moscou forneceu o material para os rebeldes e o recuperou após a queda do avião.

O secretário de Estado americano John Kerry declarou nesta tarde ter certeza de que o sistema bélico que abateu o MH17 é de origem russa. “Está claro que o material foi enviado por Moscou aos separatistas”, ressaltou durante uma entrevista à rede de televisão CNN.

O governo de Kiev insistiu hoje que os separatistas tentam dissimular as provas da pela tragédia. De acordo com o porta-voz do Conselho de Segurança ucraniano, Andriy Lissenko, os rebeldes retiraram os destroços e os corpos do local do acidente antes da chegada dos peritos.

Corpos foram retirados do local do acidente

A retirada dos corpos das vítimas de um campo de Grabove terminou hoje. Os restos mortais permaneceram no local do acidente durante 48 horas devido à resistência dos rebeldes em permitir o acesso de especialistas internacionais. De acordo com jornalistas, não havia mais nenhum corpo nesta manhã no campo onde caiu o avião.

Ontem, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, se disse chocado com as imagens que assistiu pela televisão que mostravam corpos dos passageiros, pertences e destroços da aeronave, 48 horas após a tragédia. Testemunhas relatam que o odor começava a ficar insuportável na região.

O transporte dos restos mortais gerou uma nova polêmica nesta manhã. Autoridades ucranianas declaram que apenas 38 corpos estavam em um hospital regional e que o restante estava desaparecido. Mas, segundo observadores da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa), 169 corpos foram recuperados e transportados a um trem refrigerado, onde devem ser analisados por peritos internacionais.

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