Rússia/Sanções

Estados Unidos e Europa anunciam sanções contra Rússia

O presidente americano Barack Obama anuncia novas sanções contra a Rússia
O presidente americano Barack Obama anuncia novas sanções contra a Rússia REUTERS/Joshua Roberts

Depois da União Europeia, foi a vez de os Estados Unidos anunciarem sanções contra a Rússia, por conta de seu envolvimento na crise ucraniana. Washington colocou três bancos na sua lista negra. Agora, cidadãos norte-americanos estão proibidos de efetuar algumas transações com o VTB, segunda maior instituição bancária do país, seu subsidiário Banco de Moscou, e o Banco Agrícola Russo, principal financiador da agricultura do país.

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Em pronunciamento na Casa Branca, Barack Obama afirmou que as restrições afetam setores-chave da economia russa: "energia, armamento e finanças". O presidente dos Estados Unidos lamentou que a Rússia tenha resolvido se isolar da comunidade internacional "depois de décadas de progresso real" e afirmou que isso não é um caminho inexorável, mas "uma escolha que a Rússia e (seu) presidente (Vladimir) Putin fizeram".

Obama, no entanto, garantiu que não se trata de uma "nova Guerra Fria", mas de "um problema muito muito específico, ligado à atitude da Rússia, que se recusa a reconhecer que a Ucrânia pode seguir seu próprio caminho". Para o presidente americano, o fato de que os europeus, que têm fortes elos econômicos com a Rússia, tenham optado pelas sanções, mostra que a "paciência deles com Putin se esgotou".

Sanções Europeias

Algumas horas antes, em Bruxelas, a União Europeia havia anunciado uma série de medidas para bloquear o acesso de empresas e bancos russos aos mercados europeus de capitais, além de proibir todas as futuras vendas de armas e tecnologias sensíveis do setor energético. As medidas, que também afetam quatro empresários próximos ao presidente russo, não são retroativas, o que permite à França honrar seu compromisso de venda de dois navios porta-helicópteros para Moscou.

Mesmo assim, elas são "um forte aviso", de acordo com o presidente do Conselho Europeu, Herman Von Rompuy. "Nossos pedidos foram letra morta", afirmou Rompuy, observando que "as armas e os combatentes continuaram a entrar na Ucrânia a partir da Rússia. Para a chanceler alemã, Angela Merkel, o gesto foi "inevitável". Ela pediu que o poder russo possa "tomar o caminho da desescalada e da cooperação" no conflito ucraniano.

A Europa decidiu endurecer sua postura com relação à Rússia e passar à "fase 3" das sanções depois da queda, há dez dias, de um avião da Malaysia Airlines que fazia a rota entre Amsterdã e Kuala Lumpur, com 298 passageiros a bordo. O ocidente desconfia que provável míssil que derrubou a aeronave tenha sido atirado por rebeldes pró-russos.

Bloqueio à OSCE

Depois de anunciadas as sanções, os separatistas emitiram um comunicado ameaçando impedir os técnicos da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) de investigar o local da queda da aeronave. O texto anuncia a suspensão da cooperação com a OSCE, que a autoproclamada República de Donetsk acusa de "servir aos interesses dos Estados Unidos e da Ucrânia".

Passados mais de dez dias do acidente, os especialistas tiveram acesso apenas limitado ao local, mesmo depois de a OSCE ter chegado a um acordo com os rebeldes pró-russos. Hoje, pelo terceiro dia consecutivo, a equipe de investigadores holandeses e australianos desistiu de sua missão por conta dos combates que seguem na região.

Confrontos no leste

O exército intensifiou a ofensiva no leste da Ucrânia e retomou das mãos dos rebeldes algumas áreas importantes, como o vilarejo de Stepanivka, a cerca de 80 quilômetros de Donetsk. A região, que se situa entre a fronteira russa e o local onde caiu há dez dias o boeing 777, foi palco de violentos combates nos últimos dias.

O premiê holandês, Mark Rutte, telefonou para o presidente ucraniano, Petro Porochenko, para pedir o fim do confronto na região que, de acordo com Moscou, constitui uma violação da resolução da ONU para proteção do local. "Os militares ucranianos não travam nenhum combate na zona da catástrofe", se defendeu o porta-voz do exército ucraniano Andrii Lyssenko. "É uma zona bloqueada pelos 'terroristas'". Mas, de acordo com ele, dez soldados morreram quando as forças de Kiev faziam "todo o possível para liberar essa área".

 

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