Rússia/Ucrânia

Moscou chama de "destrutiva e míope" política americana de sanções

O presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em 15 de julho de 2014.
O presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em 15 de julho de 2014. REUTERS/Paulo Whitaker

A Rússia declarou nesta quarta-feira (30) que os Estados Unidos vão pagar "de maneira muito concreta" pelas novas sanções aplicadas contra interesses russos devido à crise ucraniana. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores qualifica a política americana de "destrutiva e míope". Já em relação às sanções europeias, Moscou adverte que elas causarão um aumento dos preços da energia na Europa.

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"Colocar obstáculos à cooperação com a Rússia no setor da energia é uma medida irracional e irresponsável", diz uma nota oficial da chancelaria russa. A União Europeia é acusada de "obedecer à política de Washington", diante de sua "incapacidade de exercer um papel autônomo nas questões mundiais".

Em dois comunicados distintos, o governo de Vladimir Putin se posiciona em relação à nova leva de sanções divulgada ontem por europeus e americanos. Desta vez, as sanções atingem em cheio setores vitais da economia russa, como os de finanças, petróleo e armamentos, e são consideradas de uma severidade inédita depois do fim da Guerra Fria.

A Bolsa de Valores de Moscou e a cotação do rublo estão em alta nesta quarta-feira. Analistas do setor financeiro explicam esse efeito pelo fato de os investidores terem antecipado o anúncio. É a longo prazo que a economia russa será penalizada pelas sanções, não de imediato. As retaliações americanas contra os três maiores bancos da Rússia serão as que terão maiores consequências macroeconômicas, dizem especialistas.

Alguns economistas estimam que Moscou não poderá interromper as exportações de petróleo e gás para a Europa, sob o risco de empurrar o país para uma recessão.

Hoje, a imprensa russa minimizou o impacto das sanções. Acima de tudo, elas devem trazer benefícios para Putin no plano político interno, segundo os jornais.

Por enquanto, a única resposta concreta do presidente russo às medidas foi um embargo às frutas e legumes da Polônia. Na segunda-feira, Moscou havia alertado que tomaria a decisão de proibir as importações pela presença de "um inseto perigoso" nas plantações polonesas e "o desrespeito persistente de normas sanitárias".

As novas sanções americanas e europeias são adotadas num momento em que o Exército de Kiev acumula vitórias contra os separatistas pró-russos e após a queda do avião da Malaysia Airlines, com 298 pessoas a bordo, abatido por um míssil em zona rebelde no leste da Ucrânia, a poucos quilômetros da fronteira russa.

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