Ucrânia/Invasão russa

Donetsk recebe reforço de artilharia pesada e combates se intensificam

Rebelde pró-russo com metralhadora na periferia de Donetsk
Rebelde pró-russo com metralhadora na periferia de Donetsk REUTERS/Maxim Zmeyev

Na noite de sábado (8) para domingo, a cidade de Donetsk viveu intensos combates, depois que os rebeldes no leste da Ucrânia receberam um importante reforço de armas pesadas, como tanques e canhões. Kiev acusa a Rússia de estar por trás do fornecimento desses equipamentos, mas as agências oficiais russas afirmam que eles pertencem às lideranças separatistas, eleitas há uma semana em um pleito considerado ilegal pelo ocidente. Nesta manhã, disparos de artilharia pesada ainda eram ouvidos perto do centro da cidade, que é o principal refúgio dos rebeldes.

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Hoje, testemunhas disseram que cerca de 20 caminhões militares, sem placa de identificação, transportavam canhões de 122 mm e soldados - também não identificados - na direção de Donetsk. A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) se disse "muito preocupada" com a presença de tanques e comboios militares na região.

De acordo com os observadores do órgão, que supervisionam o cumprimento de um acordo de cessar-fogo assinado em setembro, mais de 40 veículos foram vistos circulando pela periferia da cidade. Entre eles, 19 caminhões de fabricação russa, além de nove tanques - quatro T72 e cinco T64 - também produzidos pela Rússia.

"Provocação"

"A OSCE não indicou a quem pertencem esses equipamentos e tropas, mas os militares ucranianos não têm nenhuma dúvida sobre isso", afirmou neste domingo o porta-voz das forças armadas de Kiev, Andrii Lissenko, em clara alusão a Moscou. Ele teme que esse reforço seja uma "provocação" visando "criar pretexto para a introdução de supostas forças russas de manutenção da paz na bacia de Donetsk".

Desde sexta-feira, as autoridades ucranianas denunciam a entrada de equipamento e pessoal militar vindos da Rússia. Mas essas informações não foram confirmadas pelos Estados Unidos nem pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Mas a Aliança informou que cresceu a concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia.

Guerra Fria

Nos últimos sete meses, o conflito no leste da Ucrânia deixou mais de 4.000 mortos, de acordo com a ONU. As tensões fizeram renascer um clima de Guerra Fria e levaram o Ocidente a impor pesadas sanções contra a Rússia por conta de sua participação no conflito. Moscou nega envolvimento direto mas, além de reconhecer as eleições separatistas, anexou a Crimeia a seu território no início da crise.

Ontem, durante as comemorações dos 25 anos da queda do muro de Berlim, símbolo do mundo bipolar, o último presidente soviético, Mikhail Gorbatchev, afirmou que o planeta "está à beira de uma nova Guerra Fria". No dia 17 de novembro, os países europeus se reúnem para reexaminar sua estratégia em relação à Rússia.
 

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