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Ministro português cai após escândalo dos “vistos dourados”

O ministro do Interior de Portugal, Miguel Macedo pede demissão por considerar que perdeu autoridade.
O ministro do Interior de Portugal, Miguel Macedo pede demissão por considerar que perdeu autoridade. REUTERS/Stringer/Files

O ministro do Interior português, Miguel Macedo, renunciou, neste domingo (16), depois das revelações do escândalo batizado de “vistos dourados", destinados a investidores estrangeiros.

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Miguel Macedo disse que não tem "qualquer culpa ou responsabilidade pessoal" no caso, mas decidiu deixar o cargo por considerar que "perdeu a autoridade", já que vários nomes do alto escalão do governo são acusados de terem participado do esquema de corrupção. Entre eles, estão o chefe da Polícia de Fronteira, Manuel Jarmela Palos; a secretária-geral do Ministério da Justiça, Maria Antonia Anes; e o diretor administrativo dos tabeliões, Antonio Figueiredo.

Segundo uma legislação de 2012, qualquer estrangeiro que invista mais de € 1 milhão em Portugal, gerando ao menos 10 postos de trabalho, ou que compre um imóvel com valor superior a € 500 mil, poderia receber o direito de residência no país. E, também, o direito de circular livremente pela União Europeia.

Mas as investigações das autoridades portuguesas revelam irregularidades na concessão desses vistos, além das acusações de "corrupção, tráfico de influência, malversação de recursos e lavagem de dinheiro, relacionados à entrega de vistos de ouro", informa a Procuradoria. Em dois anos, o governo português emitiu 1.600 permissões desse tipo, 80% delas para chineses.

Para a oposição, esses "vistos dourados" são atribuídos de forma pouco transparente e não trazem nenhum benefício real para a economia portuguesa, pois, com o visto em mãos, o investidor não é obrigado a viver em Portugal de forma permanente, e precisa passar apenas sete dias por ano no país.
 

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